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26 Fevereiro 2007

AERMACCHI M-346 MASTER. Treinando novos pilotos para o século 21


DESCRIÇÃO
A nova geração de aeronaves de treinamento tem demonstrado que os projetos desse tipo de aeronave se tornou bem mais complexo do que era a 25 ou 30 anos atrás. Hoje temos exemplos dessa complexidade através de modelos como o EADS MAKO, o Kai/ Lockheed Martin T-50 Golden Eagle e o HAIG L-15 chinês, todos com estabilidade artificial controlada por FBW, podendo executar manobras em alto ângulo de ataque e simular o desempenho dos aviões de combate de alto desempenho que os pilotos em treinamento serão enviados. Essas capacidades permitem uma transição da fase de formação do piloto de combate de uma aeronave a reação de forma muito mais eficiente, permitindo, também, uma maior facilidade na adaptação ao caça definitivo que aquele piloto for pilotar.
O Aermacchi M-346 teve o inicio do seu desenvolvimento em uma parceria entre a Aermacchi e a Yakolev Design Buerau que, juntos, trabalhavam num avião de treinamento com avançada tecnologia embarcada e forte capacidade acrobática para simular o desempenho dos aviões de primeira linha na forma do modelo YAK/AEM-130. Porém no fim de 1999, a Aermacchi resolveu sair desta parceria e desenvolver sozinha seu treinador para que ele fosse mais atrativo para as forças aéreas ocidentais, que não tinham tradição de consumo dos produtos russos. Na época o avião YAK/AEM-130, já voava desde 1996 e por isso o modelo da Aeremacchi acabou sendo extremamente parecido aerodinamicamente ao YAK-130 que teve seu desenvolvimento seguido em diante pela Yakolev. Tendo inclusive sendo encomendado pela força aérea russa como seu avião de treinamento avançado.
Acima: O pequeno tamanho do M-346 oculta o que esse avião de treinamento e ataque leve é capaz de fazer. Sem duvida, ele representa uma enorme avanço em relação ao seu antecessor MB-339.
O modelo italiano foi batizado de M-346 e teve substituído as peças e aviônicos russos por equipamentos ocidentais. A Cabine do piloto no M-346 foi projetada no estado da arte. Existem três displays LCDs multifunção coloridos e um HUD além de ser compatível com o uso de óculos de visão noturnas, item muito importante nas missões de ataque noturno. Os assentos são do modelo MK-16 do tipo zero zero da Martin Baker.
Acima: O painel da cabine do M-346 se parece mais com o de um caça de primeira linha do que de um avião de treinamento. Notem que os displays LCDs multifunção são coloridos.
Os motores do M-346 foram uns dos primeiros itens a ser substituído, sendo que a empresa que foi contratada foi a norte americana Honeywell que cedeu licença para que a FIAT Avio produzisse o modelo F-124 GA-200 com 2780 kg de empuxo, sendo essa potencia 622 kgf mais potente que o motor usado no modelo original YAK-130. Essa maior potencia permitiu um aumento de desempenho e manobrabilidade, além de superar as estimativas de velocidade que se tinha antes dos testes de vôo. O avião tem estabilidade relaxada e por isso usa um sistema de controle de vôo Fly by Wire para se manter estável e ainda manobrar com mais agilidade. A Aermacchi chegou a considerar a possibilidade se usar um joystick lateral para controle do avião, como o encontrado no F-16 e F-22, por exemplo, mas abandonou a idéia e acabou instalando um manche de controle central e um sistema HOTAS (mão no manete e no manche). Um detalhe muito interessante sobre o sistema de controle de vôo do M-346 é que ele tem em sua memória, parâmetros de vôo de diversos caças de primeira linha que ele pode imitar a forma de voar deles. Essa característica é inédita em um avião de treinamento.
Acima: Um dos prptótipos do M-346 em uma feira aérea demonstrando suas qualidades de vôo.
Abaixo: Aqui temos uma foto do russo YAK-130. Notem a similaridade aérodinamica com o modelo italiano M-346.

Com o excelente desempenho que o M-346 demonstra, seria um desperdício se ele não pudesse ser usado em outras missões mais “quentes” que o treinamento avançado de pilotos novatos. Assim, o projeto do M-346 contemplou uma capacidade de combate relevante permitindo que o avião execute ataques leves e apoio aéreo com uma gama de armas bem variadas e compreendendo desde bombas “burras” MK-82 e 83 até mísseis antinavio Marte MK-2 cujo alcance é de 25 km e é guiado por radio. Para ataques de precisão a alvos terrestres, o M-346 usa o míssil AGM-65 Maverick cujo alcance pode chegar a 27 km e é guiado a TV, IR ou Laser, dependendo da versão além de bombas OPHER guiadas por IR. Canhões 30 mm podem ser transportados em casulos instalados nas asas. Para auto defesa o M-346 usa mísseis ar ar de curto alcance AIM-9 Sidewinder ou IRIS-T, porém, com a instalação de um radar multímodo, pode-se usar mísseis de médio alcance como o MICA cujo alcance chega a 60 km e pode ser guiado a Radar ativo ou IR.
Acima: Nesta foto o poder de fogo ar ar do M-346 é demonstrado bem. Notem que na ponta das asas temos um missil IRIS-T, com capacidade de lançamento off boresight (fora do angulo de visada) e no chão pode-se ver mísseis MBDA MICA nas versões RM e IR
FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro:
mach 0,80
Velocidade máxima: 1250 km/h
Razão de subida: 7620 m/min
Fator de carga: +8, -3 Gs
Potência: 0.85
Taxa de giro: 14.5º/s (sustentada)
Razão de rolamento: *240º/s
Raio de ação/ alcance: *1295km/ 2590km
Empuxo: 2 Fiat Avio F-124. GA-200 com 2780 kgf de potencia máxima.
DIMENSÕES
Comprimento: 11,49m
Envergadura: 9,72 m
Altura: 4,98 m
Peso: 4610 kg (vazio).
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil AIM 9 Sidewinder, Íris-T, Mica.
Ar Terra: Míssil Maverick, Bombas MK-82, MK-83, OPHER, Míssil antinavio MBDA Marte MK-2, canhão DEFA de 30 mm em casulo. Total de cargas externas: 3500 kg.


Acima: Um desenho em corte do M-346 Mais uma vez fica fica evidente a incrivel similaridade entre o modelo M-346 e o YAK-130.
Abaixo: Como está muito dificil encontrar um video do M-346, eiu optei por colocar um video de apresentação do YAK-130, pois considero válido na medida que ele é extremamente similar estéticamente e em desempenho ao M-346.

31 comentários:

gusmontealto disse...

Caro Carlos, o seu blog está de parabéns. Também sou um aficionado por aviões, em especial os militares. Até hoje este foi o blog mais atualizado em informações desse tipo que encontrei na net. Continue assim e conte com nosso apoio. Abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Gusmontealto.
Obrigado pelo elogio! Continuarei a me esforçar para manter o nivel do Blog.
Abraços

Sebastião disse...

Caro Carlos, na verdade a Aermacchi deu uma rasteira na Yakolvlev, assim como a Lockheed deu na mesma Yakovlev quando "adquiriu" a tecnologia do exaustor-superior do F-35...Seria importante voc~e mostrar o Yak-130 e dizer com todas letras que tanto uma quanto a outra foram espertas e se aproveitaram da falta de experiência capitalista dos russos que são excepcionais em inventiva...vide o MiG-35 e seus OVT e OLS sem precedentes no Ocidente...
Abraço fraterno,
Sebastião Miguel.
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Sebastião disse...

Caro Carlos, na verdade a Aermacchi deu uma rasteira na Yakolvlev, assim como a Lockheed deu na mesma Yakovlev quando "adquiriu" a tecnologia do exaustor-superior do F-35...Seria importante voc~e mostrar o Yak-130 e dizer com todas letras que tanto uma quanto a outra foram espertas e se aproveitaram da falta de experiência capitalista dos russos que são excepcionais em inventiva...vide o MiG-35 e seus OVT e OLS sem precedentes no Ocidente...
Abraço fraterno,
Miguel.
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Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Sebastião. Você tem toda a razão. Eu só não entrei no mérito dos detalhes comerciais, pois isso não era o escopo da matéria.. mas concordo plenamente com vc.
Abraços

Jonathas disse...

Sr Carlos, a médio prazo a FAB terá de aposentar as aeronaves A1, vc não acha que essa aeronave poderia ser um ótimo candidato?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Ola Jonathas. Eu considero o M-346 um bom avião de treinamento e ataque leve. Para substituir o A-1 eu penso numa aéronave superior em desempenho, alcance e capacidade de se defender, caso haja resposta dos inimigos. Por isso uma aéronave multifunção comoo JAS-36 Gripen, Mirage 2000, F-16 etc, me parecem melhors candidatos para essa substituição.
Abraços

Ernesto disse...

Olá Carlos,
O Aermacchi M-346 tem muita semelhança com o AMX. O nariz e o desenho do canopy é igualzinho. Você não acha?
Ernesto
E-mail: ernestobatista2000@yahoo.com.br

Wilson disse...

Olá Carlos!!!

gostaria de saber quais radares pode ser integrado no M.346!!!!

seu blog continua o bixo!!:)

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Wilson. Não há determinado um radar especifico a ser usado no M-346. Porém o radar Grifo usado nos F-5M brasileiros, que são de origem italiana podem ser adaptados no bico do M-346.
Abraços

Wilson disse...

Pode ser o radar RD-400?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Wilson. Esse radar de pequeno tamanho foi pensado para aeronaves como o Mako ou mesmo o M-346. Na verdade podem ser varios modelos e tipos de radares...
Abraços

Edimar Caetano disse...

belo artigo, li num site da net que ele pode ter uma versão navalizada, não seria um a boa opição como aerovave de treino a substitir os a4 quando este tiverem sua vida util esgotada, abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Edimar. Obrigado
Seria um interessante avião para tomar o lugar do A-4, mesmo em missões de combate. O M-346 é um jato muito avançado para sua categoria e suas capacidades o tornam um adverário respeitavel.
Abraços

Probus disse...

Comandante Di Santis, salvas!!

Senhor, gostaria, se possível, de uma breve análise/correções sobre o link supra, referente ao Yak-130 Combat Trainer Yakovlev

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.airforce-technology.com/projects/yak_130/&ei=O_9IS_bKOIOzuAfRm-GIAg&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=2&ved=0CBMQ7gEwAQ&prev=/search%3Fq%3DYAK-130%2BTHE%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG

Fonte: Airforce-technology.com

Obrigado.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Probus.
Em breve farei um artigo sobre o pequeno YAK-130. Trata-se de um excelente projeto conjunto com os italianos, porém a saida dos italianos no meio do projeto marcou algumas mudanças em relação a ambos os modelos. O YAK 130 é menos potente que o modelo ME-346. Mas aguarde uma matéria completa sobre o YAK-130.
Abraços

Wilson disse...

Olá Caros!!!

Gostaria de saber se os AT-63 PAMPA é similar ao M.346 e se tem capacidade de empregar armas guiadas como os AIM-9 e Paveway II e Lizard. Abraços!!!!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Wilson. O Pampa AT-63 é extremamente mais simples e de pior desempenho que um M-346. Não sção aeronaves de mesma capacidade. As armas usadas são simples bombas burras, foguetes não guiados e casulos com metralhadoras.
Abraços

aerobh disse...

Boa tarde Carlos, sensacional seu blog, sou aficcionado em aviação militar, ja fui em 2 TAC e 2 Cruzex, e em novembro novamente em Natal, tá de parabéns seus blog, grande Abraço. Welter Mesquita Vaz www.radaraereo.blogspot.com

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Welter. Muito obrigado pelas palavras.
Abrços

Leandro disse...

Prezado Di Santis, existe algum estudo da FAB para substituir os Xaventes? o M-364 poderia ser essa aeronave? Ele pode ser montado aqui como os Xavantes foram?

Aproveito para solicitar uma matéria com os AT-63 Pampa!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Leandro. A FAB pretende usar o Super Tucano e o caça F-5FM para a missão de treinamento e conversão de seus pitotos. Mas, pessoalmente, preferia que a FAB adquirisse o M-346 ou o Hawk.
Abraços

Anderson disse...

Porque essa preferencia por aeronaves monomotor, você acredita que seria possível o Brasil e a Argentina produzirem uma aeronave de treinamento e ataque ?

Anderson disse...

Porque essa preferencia por aeronaves monomotor, você acredita que seria possível o Brasil e a Argentina produzirem uma aeronave de treinamento e ataque ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Ola Anderson. A possibilidade existe, porém a Argentina está passando por um momento de cortes na sua verba militar e por isso acredito que não haja condições financeiras em se desenvolver uma aeronave de treinamentop. Os argentinos precisam de firma urgente substituir sues Mirage 33 e IAI Finger, aeronaves que não servem para mais nada, além de serem expostas em um museu.

André disse...

Qual seria o caminho operacional.
Piloto faz treinamento em modelo báscio, passa para um Tucano e vai para o jato treinador, correto? Porém, se sua Força possui o Supertucano, ele precisaria passar para o jato?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá André.
Segundo o entendimento da FAB, o Super Tucano já é suficiente. Porém, acredito que esta postura da FAB seja um mero acomodamento, uma vez que com os parcos recursos, não há verba para aquisição de um treinador de conversão de verdade como o M-346.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!!
O Brasil desconhece a importância da aviação de treinamento ou se trata de mais uma limitação financeira em face do descaso da política de Brasilia?
E qual desses aviões seria o melhor para o Brasil, levando em conta suas qualidades tecnologica, de manobra e de combate? Esses caças são melhores do que os nossos f5 e em que? E o que poderiamos acrescentar a esses caças para ampliar ainda mais a sua capacidade. A manobrabilidade deles é superior aos f5?
Obrigado e grande abraço!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. A FAB sabe muito bem a importância da aviação de treinamento. Porém a indisponibilidade de dinheiro vindo do governo impede ela de ter um aviçao a jato moderno como o M-3465 deste artigo que é caro de manter e de adquirir. Esses novos jatos de treinamento da linha do M-346, YAK 130, T-50, são mais manobráveis que o F-5.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações, Carlos!!!
Carlos, caso dispuse de verba, pra FAB seria interessante somente adquirir ou a transferência de tecnologia junto, seria, ainda melhor?
O investimento neste aspecto é baixo e dele poderia partir pra aviação de supersonica e assim, o grandiente de investimento se tornaria menor? Grande abraço Carlos.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. Por mais que os nacionalistas defendam a produção local de armamentos custe o que custar, eu sou mais pratico e realista. Do que adianta ter tecnologia para construir este ou aquele sistema de armas se nossas forças armadas vivem sob forte restrições orçamentarias para investimento de aquisição de equipamentos. Nosso orçamento militar é até grande, mas esse valor é usado em mais de 70% para pagar pensão dos militares inativos. Por isso além da falta de visão do governo, eles ainda acham que o dinheiro liberado todos os anos é muito alto (o que é verdade), mas só é usado para pagar essas pensões e aposentadorias. Não vale a pena pagar uma fortuna para ter a transferência de tecnologia se não vamos fazer nada além de comprar 20 aviõeszinhos.... entende? Paga-se menos e compra-se 0 aviõezinhos de prateleira e seu suporte de peças por 10 anos e depois se renova o contrato de fornecimento de peças. Sai mais barato, e em pouco tempo teremos os nov0os aviões em nossas bases. O FX teria sido resolvido a mais de 5 anos atras, se os doentes mentais do governo não tivessem imposto essa balela idiota de transferência de tecnologia para a compra dos caças.
Abraços