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13 Maio 2007

MISSEIS DE CURTO ALCANCE: A nova cara do dog fight.


RESOLVENDO O COMBATE A DENTADAS
Quando os mísseis de médio e longo alcance falham, o combate aéreo evolui para uma escaramuça aérea onde os aviões envolvidos disputam a melhor posição para disparar ou se evadir. Desde que aeronaves foram armadas pela primeira vez, a tendência foi a de que aviões mais manobráveis e ágeis tivessem vantagem sobre os menos manobráveis, e isso era relativamente certo, na medida em que o treinamento dos pilotos também sempre influenciou o resultado do combate aéreo.
Um exemplo que gosto de citar quando trato do assunto manobrabilidade em aeronaves de combate é a situação que ocorreu com os Estados Unidos na guerra do Vietnã, onde os americanos levaram aeronaves de alta performance e extremamente sofisticados como o famoso Mc Donnell F-4B Phantom II que usavam um radar AN/ APQ-72 para guiar os então novos mísseis AIM-7E Sparrow de médio alcance. Os americanos estavam tão seguros na capacidade de superar caças simples de origem soviética que o Vietnã usava, que até o canhão, tão presentes nos aviões de combate que antecederam esta época, foram suprimidos do F-4B. O resultado dessa atitude foi que os F-4 não estavam sendo eficazes contra os manobráveis e ágeis caças vietnamitas. O AIM-7 Sparrow, simplesmente não acertava seus alvos e os caças americanos estavam sendo derrubados numa proporção de um por um. Resultado disso foi que os pesados e pouco manobráveis F-4 acabaram recebendo algumas melhorias como a instalação de um canhão M-61 de canos rotativos de 20 mm além de novas superfícies de controle nas asas que o tornaram um pouco mais manobrável, além, é claro, de terem criados treinamentos para pilotos de caças como o Top Gun, onde o piloto aprendia a depender menos dos sistemas eletrônicos e a voar de verdade seus aviões em combate aéreo. No final da guerra a proporção voltou a ser vantajosa para os Estados Unidos em 9 inimigos abatidos para cada um caça americano derrubado. Nas décadas seguintes, os projetos de caças visavam produzir aeronaves que fossem ágeis, manobráveis e com alta relação empuxo peso, como o F-15 e o F-16. Com esses aviões, os pilotos teriam uma maior facilidade de alinhar seus aviões contra os caças inimigos e assim conseguir uma melhor situação de tiro, e ainda dificultar que os inimigos pudessem alinhar seus caças contra eles. Essa tendência se manteve nos anos 70, 80 e 90. Porém com a queda da União Soviética, e a abertura da Rússia aos paises ocidentais, alguns fatos antes secretos, sobre a tecnologia russa vieram à tona e surpreenderam o ocidente, principalmente os Estados Unidos. Os russos tinham equipado seus Mig-29 e seus Su-27 com um míssil de curto alcance que possuía algumas características impares, como vetoração de empuxo para alta manobrabilidade e um sensor designador de alvos IR (infravermelho) capaz de trancar alvos a 45º da cabeça do míssil, sendo o primeiro míssil com capacidade de ataque off boresight. Para complicar ainda mais as coisas para o ocidente, o R-73 era integrado a um capacete com visor que faz a mira do míssil com o simples girar da cabeça do piloto. Assim o piloto olhava para o alvo e assim o designava para que o míssil fosse lançado. Agora estava formalmente iniciada a nova fase do combate aéreo a curta distancia. Os fabricantes ocidentais começaram a estudar e a projetar mísseis de curto alcance que pudessem se igualar ou superar aquele míssil russo tão inovador. O resultado dessa busca veremos a partir de agora.

ESTADOS UNIDOS
Os americanos, acostumados a se orgulhar de sua “superioridade” inabalável, ficaram bastante chocados quando puderam testar mísseis R-73 Archer da extinta Alemanha Oriental, depois de reunificação da Alemanha. Foi observado que o míssil russo era mais rápido, manobrável e tinha um sensor IR com maior capacidade de ângulo de engajamento que o míssil em uso pelos caças dos Estados Unidos, o AIM-9M Sidewinder. Por isso, os estudos que já existiam para o desenvolvimento de um sucessor do AIM-9M foram acelerados e os requisitos revistos. O novo míssil ar ar de curto alcance das forças armadas dos Estados Unidos foi chamado de AIM-9X Sidewinder, fabricado pela Raytheon, e inicialmente, foi desenvolvido pela Hughes Missile System, que posteriormente foi adquirida pela poderosa Raytheon, que assumiu o desenvolvimento do AIM-9X. O AIM-9X possui quase o dobro de alcance de seu antecessor podendo chegar a 28 km graças a uma aerodinâmica mais limpa, com menores superfícies de controle. O designador de alvos do AIM-9X é capaz de trancar em alvos que estejam a um ângulo de 90º em relação ao míssil, sendo assim mais eficaz que o míssil russo R-73. Ainda falando do sensor designador de alvos, o usado no AIM-9X e nos outros mísseis de 5º geração, são imunes a sistema de contramedidas a flares. Para evitar ser atingido por um míssil AIM-9X, a única contramedida seria um sistema a laser que danificasse o sensor do míssil. O uso de um sistema de vetoração de empuxo, no motor, permite ao AIM-9X executar curvas de 80 Gs, mantendo uma capacidade de curva fechada mesmo em altíssimas velocidades. Assim como o R-73 russo, o AIM-9X atua integrado a um sistema de visor montado no capacete (HMD) que nos Estados Unidos é composto pelo novíssimo JHMCS, que substituirá, aos poucos até o HUD da cabine dos caças. Basta o piloto girar a cabeça, selecionar o alvo e disparar. Atualmente os fabricantes trabalham para aprimorar essa capacidade para que os mísseis tenham capacidade de serem lançados contra alvos vindos do quadrante traseiro.

RAYTHEON AIM-9X SIDEWINDER

PESO:
85.5 kg
OGIVA: 12,5 kg HE fusão por proximidade
ALCANCE: 28 km (X)
GUIAGEM: IR com 90º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 80g

EUROPA
Os europeus possuem uma tradição no desenvolvimento de mísseis e não poderiam deixar de desenvolverem mísseis com as capacidades avançadas encontradas nos armamentos russos. Assim, como os Estados Unidos, a industria européia usou como parâmetros de desempenho o míssil russo R-73, que era o melhor míssil de combate aéreo de curto alcance disponível no inicio dos anos 90.
Os alemães, através de sua empresa BGT iniciou os estudos para um míssil de curto alcance com as características requisitadas pela força aérea alemã (Luftwaffe). Em 1995 foi assinado um contrato de desenvolvimento entre a Alemanha e outros 5 países, sendo eles a Itália, Suécia, Grécia, Noruega e Canadá, para construírem o novo míssil IRIS-T de alta manobrabilidade. O Canadá saiu do consórcio em 2001, acabando por adquirir mísseis AIM-9X depois de uma concorrência onde os mísseis Python 4 e Asraam participaram. O sensor IR do míssil IRIS-T é capaz de adquirir um alvo à 90º do ângulo de visada do avião lançador e através de um sistema de vetoração de empuxo, pode engajar o alvo com facilidade. A alta manobrabilidade de 60 Gs garantida pelo vetoração do empuxo dificulta em muito as chances de o alvo se evadir do ataque. A capacidade de curva do IRIS-T é 50º maior que a do R-73. O alcance do IRIS-T está em 12 km, oficialmente, colocando ele como o míssil de menor alcance entre os mísseis de 5º geração. Os aviões que inicialmente usarão o IRIS-T serão o JAS-39 Gripen, F-16, Typhoon II, F-4E Phanton II e nos Panavia Tornado e F-35 Lithning II. Como se pode ver, serão os principais caças do mundo a usarem este míssil, facilitando assim seu sucesso comercial. O sensor IR do IRIS-T é do tipo TELL tendo gravado em sua memória diversas fotos de tipos de aeronaves conhecidas em 8 ângulos diferentes sendo que o sistema permite o míssil ignorar as contramedidas do alvo.

BGT/ SAAB/ ALENIA-MARCONI IRIS-T

PESO:
87 kg
OGIVA: 11,4 KG Explosiva de fragmentação
ALCANCE: 12 km
GUIAGEM: IR com 90º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 60g

Além do IRIS-T, um país europeu desenvolveu um outro ágil míssil de curto alcance. A Inglaterra participava de um programa multinacional de desenvolvimento de um novo míssil de curto alcance na década de 80. Nesse programa, chamado de AIM-132 Asraam, participava a Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, França, Noruega e Canadá. Porém, influenciada pela queda da união Soviética, que permitiu o acesso aos armamentos russos, a Alemanha se preocupou com a excelente qualidade do míssil R-73 usados pelos Mig 29 da extinta Alemanha Oriental. Assim pode-se observar que o míssil Asraam, estava atrás do R-73 em capacidade de combate. A Alemanha acabou por abandonar o programa e começar a desenvolver um outro míssil em conjunto com outros paises. O IRIS-T, como descrito antes nesse artigo. Os Estados Unidos, também, se retiraram do programa para construírem seu AIM-9X. A Noruega acabou se retirando também, e França saiu e desenvolveu seu míssil de uso misto MICA. Os ingleses perceberam as limitações do Asraam e acabaram pedindo que empresas inglesas fizessem uma proposta de revisão do projeto do míssil Asraam para que ele fosse desenvolvido por conta própria. Na revisão, os ingleses puderam melhorar bastante as capacidades do míssil e modificalo para ficar dentro dos requerimentos ingleses, sem que houvesse necessidade de alterar nada por causa de um ou outro parceiro de desenvolvimento. O novo míssil, agora chamado de AIM-132 Asraam, foi construído pela Bae Dynamics, hoje chamada de MBDA, a maior fabricante de mísseis do mundo. O AIM-132 já é operacional na força aérea inglesa (RAF). O AIM-132 Asraam usa o mesmo sensor IR do AIM-9X Sidewinder, com capacidade de encontrar um alvo a 90º fora do ponto de visada e é capaz de manobrar a 50 Gs. O alcance é de 15 km contra um alvo em rota de colisão e a ogiva é de 8,2 kg fragmentada acionada por aproximação.

MBDA AIM-132 ASRAAM

PESO:
88 kg
OGIVA: 8.2KG de fragmentação acionada por aproximação
ALCANCE: 15 km
GUIAGEM: IR com 90º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 60g
AFRICA DO SUL
A África do Sul é um país com uma história cheia de conflitos internos e externos o que acabou fazendo com que o país sofresse com embargos que dificultaram a venda de armas para eles. Assim a África Do Sul foi obrigada a desenvolver uma industria de defesa que acabou tendo um sucesso relativamente mais expressivo no desenvolvimento de mísseis. Assim, a fabrica da Denel, através da Kentron, uma divisão dessa industria desenvolveu mísseis de curto alcance como o Kentron U-Darter, com desenho similar a de um Magic Francês. Mais recentemente a força aérea sul africana percebeu que precisaria de um míssil de curto alcance que fosse mais ágil que os que ela usava, pois os combates contra caças russos, e seus novos misseis R-73 demonstraram a necessidade de uma arma equivalente. Assim a Kentron começou a desenvolver o novo míssil V-3E A-Darter, de super agilidade. O A-Darter é um míssil de 5º geração legítimo, sendo que ele usa um sensor IR com capacidade de varredura de 90º com capacidade de distinguir o avião inimigo das iscas flares lançadas por ele. Este missil está integrado aos sistemas do capacete do piloto HMD. Além do capacete, o avião poderá usar o radar para apontar o míssil, flexibilizando seu uso. O míssil usa vetoração de empuxo TVC para conseguir manobrar agressivamente chegando a puxar 100 Gs em curva. O míssil é capaz de virar 180º em 2 segundos e possui um alcance de 15 km. Problemas financeiros acabaram atrasando demasiadamente o programa do A-Darter produzindo assim, uma oportunidade para o Brasil em participar do programa de desenvolvimento do míssil através de um financiamento deste programa em troca da transferência de tecnologia para a industria nacional. O A-Darter será usado pelos caças Saab JAS-39 Gripen da África do Sul e pelos caças Northrop F-5EM Tiger II e futuro FX da Força Aérea Brasileira.

DENEL V-3E A-DARTER


PESO:
89 kg
OGIVA: 17 kg explosivo torpex 2A
ALCANCE: 15 km
GUIAGEM: IR de banda dupla com 90º de ângulo de visada
FATOR DE CARGA: 100 g

BRASIL
O Brasil possuía uma poderosa industria bélica nos anos 80, que acabou sendo vitimada pela impressionante falta de bom senso político e mesmo uma certa inércia por parte dos militares que fizeram muitas empresas quebrarem e muitas “cabeças” se mudar para nações onde o desenvolvimento da tecnologia militar era levado a sério. Assim poucas empresas sobreviveram, e mesmo assim com parcos recursos disponibilizados pelo governo para estudos de desenvolvimento e produção de sistemas bélicos. Um dos casos é a Mectron que teve autorização de terminar o projeto do míssil de 3º geração MAA-1 Piranha, que tem desempenho similar a um AIM-9L Sidewinder. Assim, o Brasil não tem tecnologia, atualmente, para desenvolver um míssil com as características dos modelos descritos nesse artigo.
Acima: Uma mockup do missil MAA-1B, segunda geração do Piranha, exposto na LAAD 2007.(Foto Alexandre Beraldi/ Defesanet)
Atualmente uma versão bastante aperfeiçoada do Piranha, conhecida como MAA-1 B está na fase final de desenvolvimento. Essa nova versão do Piranha, se enquadra como sendo um míssil de 4º geração com boa capacidade off boresigh, cerca de 90º, e um alcance melhorado em 50%, além da maior manobrabilidade conseguida pela mudança da aerodinâmica dos controles de vôo do míssil original. O MAA-1B é capaz de ser apontado pelo radar do avião ou pelo capacete HMD. Em abril de 2006 uma oportunidade de ouro surgiu e o governo brasileiro se comprometeu a financiar parte do final de desenvolvimento do míssil A-Darter da África do Sul, um legítimo míssil de 5º geração. Empresas brasileiras e funcionários do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), serão envolvidos no desenvolvimento e manufatura deste moderno míssil que deverá entrar em serviço em 2012. O Brasil deve desembolsar US$ 52 milhões para esse projeto o que significa um terço do que precisaria investir se fossemos começar do zero.

MECTROM MAA-1 PIRANHA


PESO:
89 kg
OGIVA: 20 kg de explosivo com sopro e fragmentação
ALCANCE: 10 km
GUIAGEM: IR com 37º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 50 g

ISRAEL
Assim como a África do Sul, os israelenses sofreram embargos de armamentos de seus fornecedores europeus, acabando por incentivar a criação de uma industria de armamentos bastante competente, com produtos de primeira linha que tem tido sucesso na exportações. Os primeiros mísseis de combate aéreo produzidos por Israel foram o Shafrir, que tinha um desenho extremamente parecido com o AIM-9B Sidewinder de primeira geração, e o Python III que com um desenho incomum tinha um desempenho superior ao míssil AIM-9L Sidewinder. O Brasil usa esse missil nos F-5E/M. Porém a industria de Israel se manteve firme no desenvolvimento de novos produtos, sempre tendo como referência a experiência de seus pilotos de combate que participam diretamente do desenvolvimento de seus equipamentos. Assim surgiu o míssil Python IV, fabricado pela Rafael israelense, um míssil de 4º geração com alta manobrabilidade, garantida por suas superfícies de controle avançadas, apoiado por um sensor IR de alto algulo de varredura off boresight que chega a 90º. O Python IV foi o primeiro míssil ocidental com esse tipo de capacidade a entrar em serviço. Ele está integrado ao capacete Dash, que faz a visada do alvo. O Estados Unidos, estão adquirindo uma versão desse capacete para serem usados em seus caças F-15, F-16 e F-22 junto com os mísseis AIM-9X Sidewinder. A zona em que o alvo não tem como fugir com manobras, conhecida como NEZ na sigla em inglês, é de 5 km. Ou seja, um alvo, dentro do emvelope do sensor do míssil, e a uma distancia de 5 km, simplesmente, está condenado a ser derrubado, mesmo que ele manobre agressivamente, pois o Python IV é simplesmente muito mais manobrável que qualquer caça. O Python IV é capaz de puxar até 70 Gs em manobra. Para se ter uma idéia da eficácia dele, ele foi projetado para que, se for lançado contra um alvo vindo de frente, e ele errar, o míssil fará uma curva e tentará acertar o alvo por trás!
RAFAEL PYTHON IV
PESO: 104 kg
OGIVA: 11 kg, explosiva pré fragmentada
ALCANCE: 15 km
GUIAGEM: IR. Com 90º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 70 g

Como se isso não fosse o suficente, um míssil avançado de 5º geração seguiu o Python IV e se tornou o míssil Python V. Uma variante bastante melhorada do bem sucedido Python IV. O Python V é externamente idêntico ao Python IV. Ele usa alguns componentes do seu antecessor, como motor, ogiva e espoleta, sendo que a maior novidade, é um novo sensor IR de banda dupla e altíssimo algulo de visada off boresight que chega a 100º, permitindo ao míssil engajar seu alvo de qualquer posição envolta do avião. Isso significa que não há ponto cego que um inimigo possa explorar num ataque contra um caça armado com o Python V. Seu alcance, oficialmente é de 20 km, porém seu alcance cinético supera bem essa distancia, podendo chegar a 35 km contra um alvo vindo em curso de colisão. A manobrabilidade do Python V é a mesma do IV devido ao uso da mesma configuração aerodinâmica podendo sustentar 70 Gs em manobras.

RAFAEL PYTHON V

PESO:
104 kg
OGIVA: 11 kg
ALCANCE: 20 km
GUIAGEM: IR de banda dupla focal plane array com 100º de ângulo de varredura
FATOR DE CARGA: 70 g

RUSSIA
Como dito no inicio desse artigo, as avançadas capacidades dos mísseis ar ar de curto alcance que essa nova geração de mísseis apresentam, foi iniciado com a criatividade da engenharia russa quando se desenvolveu seu míssil de 4º geração Vympel R-73 Archer. O R-73 foi desenvolvido na década de 70 e sua versão inicial era capaz de trancar em um alvo a 40º de off boresight. O míssil apresentava 20 km de alcance, pouco maior que a um AIM-9M Sidewinder, muito comum no final dos anos 80 e 90, e sua manobrabilidade era extremamente maior que a do seu rival norte americano podendo chegar a 60 Gs. Para se ter uma idéia da incrível superioridade do R-73 frente ao AIM-9M, basta verificar que em treinos os F-16 americanos, combatendo os Mig-29 Alemães com o R-73, foram atacados primeiro 33 vezes em 34 engajamentos, mostrando uma maior agilidade do sistema russo. Um piloto americano de F/A-18C Hornet, comentou uma vez: É impossível vencer o Mig-29 alemão, com R-73 usando os sistemas norte americanos daquela época. Hoje, temos muitos mísseis equivalentes e até superiores como pudemos ver no texto deste artigo, porém os russos mantiveram o desenvolvimento do R-73, produzindo novas versões, com capacidades ainda maiores as do modelo inicial. A versão mais moderna do R-73, foi designada como R-74M, e é idêntica ao modelo original, externamente, mas seu sensor IR tem capacidade de varredura maior, chegando a 75º e 80º de off boresight, e ainda mais sensível e com capacidade de distinguir as eventuais contramedidas do inimigo e o alvo verdadeiro. O alcance do R-74M está em 40 km, sendo o míssil de curto alcance com maior alcance atualmente.
Uma outra versão interessante do R-73 é a R-73M, que pode ser disparada contra um alvo no quadrante traseiro. Esta versão fica montada num cabide normal do avião, porém apontadoa para traz e possui uma cobertura aerodinâmica montada na saída de motor, que é descartada no momento em que este é acionado. Inicialmente essa versão foi testada no Su-35 Super Flanker e no Su-34 Strike Flanker.
Acima: O protótipo do missil Izdeliye 300 K-MD. Notem a semelhança com o missil europeu IRIS-T.
Mais recentemente foi divulgado que a Rússia está desenvolvendo um novo míssil de curto alcance e alto desempenho que deve suceder os mísseis R-73 e R-74 e ser usado como o míssil de combate de curto alcance padrão do novo caça PAK-FA. Este novo míssil cujo protótipo já foi apresentado oficialmente, tem o nome de Izdeliye 300 (K-MD) e será construído por um consórcio formado pela Vympel russa e pela ucraniana Luch. O protótipo se parece muito com o míssil europeu IRIS-T, porém, será uma arma formidável e será equipado com um novo sensor IR com ângulo de rastreio de 80º além de um sistema INS e um datalink, que permitirá atualizar os dados de posicionamento do alvo com a ajuda do radar do caça lançador. O alcance que se prevê para esse novo míssil é maior que o do seu antecessor, embora não se tenha um dado especifico publicado. A entrada em serviço deste modelo está prevista para 2013

VYMPEL R-73 ARCHER

PESO: 105 kg; Versão M (115 kg)
OGIVA: 7,4 kg HE ou fragmentação, com fusão por impacto ou aproximidade.
ALCANCE: 20 km; Versão M (40km)
GUIAGEM: IR com 60º de ângulo de varredura.
FATOR DE CARGA: 60 Gs
Os mísseis de curto alcance de 4º e 5º geração estão promovendo uma verdadeira revolução no combate aéreo através de mudanças nas táticas de engajamento e mesmo na mudança de foco em nível de projetos das aeronaves de combate. Hoje você pode ter um F-5M, cujo projeto original data dos anos 50, e assim mesmo vencer aeronaves que são fisicamente muito mais capazes em desempenho como um F-16, por exemplo, com o uso destes mísseis de nova geração.
ABAIXO UM VIDEO MOSTRANDO O TESTE DO AIM-9X SIDEWINDER.
ABAIXO TEMOS UM VIDEO DE PROPAGANDA DO PYTHON IV.

17 comentários:

oziris disse...

Parabéns tá super detalhado, um abraço.
Oziris Lucio

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Obrigado Oziris. Fico contente que tenha gostado. Abraços

lywistone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lywistone disse...

Gostei bastante, foi bom saber de alguns detalhes que faltavam; espero que os projetos do A-DARTER e PIRANHA 1-B dêem certo!!!

RAFAEL disse...

Muito boa estas reportagens, essa leitura me fez perceber que Jatos mais modernos não são tão importantes assim.
O mais inportante é ter mesmo as melhores armas e os melhores sistemas de radares e interação de dados.
Mas gostei mesmo é dos misseis de longo alcance, pois não averia nada melhor que ver uma porcaria de F-5 derrubando um F-22 usando um missil supermoderno de longo alcanse aliado a bons sistemas de radares externos interligados por este tal de Data link.

felipe f. g. disse...

ola carlos,
eu estava pesquisando sobre os aim -120 chilenos e vi o segunte comentario:

("Vcs são meio ingenuos no que se refere a defesa,fiquem sabendo q na eminencia de
um conflito os EUA podem ter acesso aos códigos de armas de tds esses paises da
américa latina ,exeto os caças q o hugo chaves comprou da russia , daí d q
adiantaria os misseis de ultima geração,pois de que adianta ter os f16 ?basta os americanos apertarem um botão e nossos
mísseis não atingem nenhum alvo,ao contrario pode até virar 'fogo amigo'.")

isso realmente poderia ser feito pelos eua,num conflito?como aconteceria?e se os f 18 vencessem o fx2 e os codigos fontes e softwares fossem liberados para serem integrados aos misseis nacionais ou se fossem produzidos aqui sobre licença por aqui nos livrariamos desse risco?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Felipe. Rsposta curta e objetiva. Não. Isso não aconteceria.
Quem disse isso é paranóico e desconhece sistemas de armas.
Abraços

MCCP disse...

Carlos
Como está a situação do Piranha? Está operacional?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

O Piranha está operacional mas muito poucos foram adquiridos. É um míssil obsoleto já.
Abraços

Luiz disse...

Olá Carlos!
Você saberia dizer se os Piranha B já estão sendo usados pela FAB?
Uma outra pergunta: O A-darter pode ser considerado tão bom quanto o Python 5?
Abraços!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz. Eu os considero equivalentes..... O piranha B não está em serviço pois está sendo desenvolvido ainda.
Abraços

wade disse...

Corriga-me ... mas pelo que entendi o "melhor" missel é o de israel, seguido pelo da africa do sul - o qual o brasil tambem tem ? -

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Wade. Se o modelo A-darter conformar a projeção de desempenho que que se espera, ele será um dos melhor mísseis de curto alcance mesmo. Porém hoje, penso que o Python V esteja empatado como o míssil Iris T.
Abraços

Wilson disse...

Olá Carlos.
Com todos esses avanços na área de misseis BVR,ainda é fácil haver combate de curta distância em que ainda ocorra aquelas manobras evasivas e tentativa de se por atrás do avião inimigo? Abraços!!!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Wilson.
O avanço nos mísseis BVR é um fato, mas as formas de contramedidas não pararam no tempo. Por isso, se investe pesado nos mísseis de curto alcance também. E nos dias atuais, nem é preciso ficar atras do avião inimigo para lançar seu míssil. Os misseis de 4º e 5º geração são caracterizados por uma capacidade de lançamento off boresight (fora da linha de visada do avião)que ba=sta o piloto apontar seus olhos para o alvo e selecionar o míssil.
Abraços

ultra nacionalista disse...

Carlos o a dater quando ele estiver pronto será o melhor missil do mundo ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

É difícil dizer isso. Creio que não será. Mas certamente será uma arma a ser respeitada, diferente do atual míssil Piranha que é um lixo.
Abraços