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27 fevereiro 2008

DO F-16 AO F-35. O retorno ao conceito do uso comum.


DESCRIÇÃO
O caça Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon é um dos principais aviões de combate de alto desempenho em uso nos dias de hoje. Com 30 anos de idade que serão completados em 2008, o F-16 nasceu como um projeto de um caça leve, simples e de baixo custo, que acabou sendo aperfeiçoado de tal forma que hoje é o principal caça de linha de frente de muitas nações que levam a sério suas forças armadas. Ao todo foram construídas 4200 unidades deste pequeno caça que começou a sentir o peso.da idade do projeto. Com o desenvolvimento de novos aviões de combate muito mais capazes, e o incrível avanço da eficiência dos sistemas antiaéreos acabou por obrigar os Estados Unidos a procurar um substituto que pudesse não só executar as missões que o F-16 executava, como também ser o sucessor de caças navais como o F/A-18 A/C Hornet e do AV-8B Harrier II, pois a marinha dos Estados Unidos e a marinha britânica também estavam precisando de um caça mais moderno de alto desempenho e resolveram se juntar a Força aérea para construir uma aeronave que fosse comum a essas forças armadas para, assim, baratear os custos de produção e manutenção através de uma economia de escala. O conceito de se usar o mesmo avião de combate por todas as forças armadas já foi testado antes, com o clássico Mc Donnell Douglas F-4 Phanton II, que foi usado pela USAF, pela US Navy e pelo USMC (corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos), desde então cada força acabou substituindo o velho F-4 por um avião diferente.
Acima: O F-16C desta foto está pesadamente armado, porém essas cargas de armas e combustivel em tanques externos diminuem muito o desempenho de vôo do avião, lhe causando uma sérissima vulnerabilidade frente as defesas antiaéreas e mesmo frente aos caças inimigos. O F-35 não terá esse problema.
Além desses fatos citados acima houve também, um novo que foi o fato de os Estados Unidos terem colocado em serviço o caça F-22 Raptor em dezembro de 2005, porém, mesmo sendo o melhor avião de combate de todos os tempos, o Raptor tem um problema sério. Ele é também o caça mais caro de todos os tempos! O numero de 183 unidades encomendado, considerado baixo pelo comando da USAF, e com dúvidas se haverá mais encomendas para completar as necessidades da força para substituir a visivelmente cansada frota de 560 caças F-15 Eagle, também pesou na decisão de se construir um novo caça leve que pudesse dar apoio ao Raptor fazendo o esquema Hi/ Low, como é o F-15 (Hi) e o F-16 (low). O principal requisito para este caça seria ser barato de adquirir porque ele terá que substituir um numero enorme de F-16, F/A-18 e AV-8B Harrier II, além, de substituir algumas unidades de F-15 que não poderão ser substituídas pelo caro F-22 Raptor.
Acima: O caça F/A-18A e o modelo C (da foto) cederão lugar ao muito mais moderno e eficaz F-35C. O F/A-18, das primeiras versões executaram suas tarefas com eficiência, porém, já não são mais capazes de suportar o avanço dos caças mais atuais.
O F-16 é ágil, potente, bem armado, principalmente se considerarmos que se trata de um caça leve, tendo uma ficha de serviço fantástica e está em serviço em 25 países, que diga-se de passagem, também terão que substituir seus caças. Nas diversas variações das missões de ataque ao solo, o F-16 demonstrou ser extremamente preciso no lançamento de suas armas e de não necessitar de escolta dado a sua capacidade excepcional de combate aéreo. Porém nos conflitos recentes, mais especificamente na primeira guerra do golfo e a guerra da Iugoslávia, um numero considerável de caças F-16 foram derrubados pela defesa antiaérea. Os dados dessas derrubadas são significativos, pois os mísseis que causaram essas derrubadas não eram tão modernos quanto os mísseis que estavam sendo disponibilizados no mercado internacional, como, por exemplo, o S-300, fabricado na Rússia e já foco de matéria do Campo de Batalha Terrestre.
Acima: O Boeing/ BAe AV-8B Harrier II Plus e as outras versões deste classico avião serão substituidas pelo F-35B, capaz de decolar em curtissmos espaços e de aterrissar verticalmente como um helicoptero, o que era uma capacidade exclusiva deste antigo modelo.
O novo caça Lockheed Martin F-35 Lightning II será o responsável em substituir todos esses aviões e ainda cobrir alguns esquadrões de F-15 que serão desativados. Como há a necessidade de manter os custos do avião baixos, o avião será relativamente simples em alguns aspectos, podendo citar como exemplo o fato dele ser monomotor. Muita da tecnologia mais nova que está sendo usada no F-35 é na verdade, fruto do programa F-22 Raptor, o que ajudou a diluir os custos do programa F-35, também.
Acima: Os velhos caças F-15A e C deverão ter alguns esquadrões substituidos por caças F-35. Inicialmente a substituição destes aviões de 35 anos, seria feita pelo poderoso F-22A Raptor, porém, seus custos escandalosos foram pesados demais até para a força aérea mais rica do mundo.
Mesmo não sendo uma aeronave complexa, o F-35 traz algumas inovações que o colocam em significativa vantagem sobre seus antecessores. Primeiramente, o F-35 é um avião stealth (difícil de ser detectado por radares), sendo que seu RCS (Radar Cross Section) está em 0,005 m2 (equivalente ao tamanho de bola de golfe), ou seja esse é o tamanho que um F-35 se parece para o radar inimigo. Por isso ele só pode ser detectado muito de perto. Isso por si só já o coloca em uma situação de vantagem absoluta, mesmo em um ataque frontal, pois com o míssil AIM-120 C-5 o F-35 pode atacar um inimigo a 105 km de distancia, ou seja, muito antes de ser visto. Em segundo lugar, o F-35 foi projetado em 3 versões que compartilham mais de 80% de partes comuns, o que facilitará demais a logística de apoio ao avião. Uma dessas versões, chamada de F-35B, terá capacidade de decolagem curta e pouso vertical (STOVL) e será o primeiro avião com essa característica e velocidade supersônica a entrar em serviço. É interessante lembrar que essa versão foi a mais difícil de se desenvolver e a que apresentava maiores riscos de projeto. Porém os problemas, principalmente relacionados ao peso excessivo foram resolvidos e o avião funciona muito bem. O primeiro vôo dessa versão deverá ocorrer maio de 2008 iniciando os testes de vôo. A 3º versão, chamada de F-35C, será adaptada para operar em navios porta aviões e será caracterizada pela asa consideravelmente maior para facilitar a aproximação para aterrissagem no navio. No total serão construídas, só para as necessidades dos Estados Unidos, 2457 unidades do F-35, em suas três versões. O total de caças F-35, para as 9 nações que participam do programa de desenvolvimento será em torno de 3100 unidades, colocando o F-35 como o maior programa de desenvolvimento de caça da história.

Acima: O F-35A durante o 7º vôo de testes. Após problemas elétricos ocorridos durante o vigésimo vôo, o F-35 ficou praticamente todo o ano de 2007 no chão atéa Lockheed conseguir resolver o problema. Os vôos de teste forma retomados no final de 2007.
O F-35 proporcionará melhor autonomia com combustível interno, e maior velocidade durante as missões pois ele transportará seu armamento internamente, durante os primeiros dias de guerra. Isso permite além da furtividade, uma aerodinâmica mais limpa sem a resistência das cargas externas. Os sensores, como o radar AN/APG-81 do tipo AESA (varredura eletrônica ativa) com alcance de 165 km, será consideravelmente mais eficiente, e ágil que os radares disponíveis para os modelos de F-16 atualmente, além de, ainda, o F-35 contar com o sensor eletrooptico designador de alvos que permite uma navegação mais segura e detecção de alvos de forma passiva, ou seja sem emissões de sinais.O F-35 não é uma revolução como é o F-22, mas certamente aumentará substancialmente a letalidade dos ataques aéreos de seus usuários através de sua tecnologia mais avançada diminuindo, também, a vulnerabilidade frente aos moderníssimos sistemas de defesa aérea que estão entrando em serviço atualmente. Mesmo os custos do F-35 aumentando a níveis acima do esperado, ele são muito mais barato que o F-22 ainda e por isso deverá se manter com ótimas encomendas.
Acima: O armamento do F-35 pode ser transportado internamente proporcionando uma elevada furtividade e diminuição da resistencia aérodinamica melhorando a velocidade de cruzeiro e a autonomia.
Acima: O F-35 é muito similar oa F-22 Raptor do mesmo fabricante. Porém sua sofisticação é menor para manter os custos de aquisição e manutenção baixos.


15 comentários:

Nei disse...

Muito boa matéria, Carlos
Mas, o número de F-35 encomendados pelas forças armadas dos Estados Unidos será 2457 mesmo? Porque outras fontes dizem que a USAF encomendou 1763 F-35A, a USMC 480 F-35B, e a U.S. Navy 480 F-35C totalizando mais de 2700 caças

Abraço
Flw!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Nei.
Realmente houve uma redução no numero previsto para encomendas. Porém acredito que ainda cairá mais... foi assim com o F-22. A previsão de encomendas do F-22 já foi, um dia, de mais de 600 unidades.
Abraços

Blog Master disse...

Excelente artigo! Mais uma vez...
Me lembro quando os EUA 'batizaram' seus F-117 (invisíveis) na guerra do Golfo (92). As características furtivas me fizeram pensar que nada mais poderia detê-los. Nem os Russos.
Mas, com o tempo, as defesas vão se adaptando às ameaças. Já até até derrubaram um 'Stealth' e ironizaram os avião invisível (foi nos Balcãs?)...
Já desenvolvem sistemas para superar essa furtividade, enfim, em breve, o que é super avançado, passa à ser convencional e vice-e-versa. Vejam a guerrilha palestina versus os Merkavas; os submarinos 'convencionais' cada vez mais poderosos; doutrinas de assimetria...

Jean disse...

Olá, primeiramente gostaria de parabenizar pelas matérias que tenho lido são de uma linguagem fácil e de grande conteúdo de informação; hoje se fala muito no FX 2, que me parece estar sobre a influência de lobistas novamente, acredito que o ideal seria o fantástico SU35 ou até mesmo o MIG35, já descrito neste site; gostaria de saber se mesmo com restrição de parte de tecnologia o F35 não seria a melhor escolha?
Acredito que qualquer um destes três modelos é bem melhor que os assim chamados Deltas Europeus, não que eles sejam inferiores; mas com um vasto território como o nosso digamos que os "35" se encaixam melhor!
Na verdade acho que os Deltas são ótimos substitutos para caças pequenos como F5, A1 que como verna matéria os USA terá dois vetor de defesa aérea, seguindo está doutrina será uma idéia a se pensar para um futuro!

Um Abraço

Obrigado

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Jean.
Obrigado pelo elogio. Fico contente que tenha gostado do Blog.
Sobre sua pergunta, eu posso lhe dizer que o F-35 não deverá ser exportado com sua furtividade. Os Estados Unidos estão querendo fornecer uma versão deteriorada do avião aos países clientes. Se, o F-35 viesse a ser oferecido (ele não foi) para o programa FX, e ele viesse com sua furtividade, eu até preferiria ele... Mas sem essa caracteristica prefiro o Su-35BM. O MIG-35 é um caça muito interessante também. Mas para substituir os F-5 e AMX (tudo indica que serão substituidos por um modelo que fará a missão de ambos) eu tenho uma cisma. Penso que o avião deveria ser monomotor como um JAS-39 Gripen ou um F-16. A FAB precisará de uma quantidade grande de aviões, nesse caso e por isso esse caça deverá ser simples e barato de manter. Uma aéronave monomotora é fundamental nesse caso.
Abraços

Jean disse...

Boa tarde!

Carlos, concordo com a sua opinião sobre o JAS39 , prefiro ele ao invés do F16 por questão de transferência de tecnologia, custo-beneficio, fora o fato de ele ser bem eclético quanto a armas e de certo modo acredito que é bem superior ao F16. Ele é o único dos Deltas que se pode chamar de multi-função tanto o Rafaele como o Eurofighter estão em fase de amadurecimento o que pode pesar a favor deles fora os lobistas é que um tem uma versão naval e outro tem, mas encomendas, mas isso não podemos levar em conta pois uma versão naval pode ser feita com algumas adaptações, quanto a encomendadas ele tem um promissor mercado a ser explorado .
obrigado.

Jean disse...

Boa tarde!

Carlos, concordo com a sua opinião sobre o JAS39 , prefiro ele ao invés do F16 por questão de transferência de tecnologia, custo-beneficio, fora o fato de ele ser bem eclético quanto a armas e de certo modo acredito que é bem superior ao F16. Ele é o único dos Deltas que se pode chamar de multi-função tanto o Rafaele como o Eurofighter estão em fase de amadurecimento o que pode pesar a favor deles fora os lobistas é que um tem uma versão naval e outro tem, mas encomendas, mas isso não podemos levar em conta pois uma versão naval pode ser feita com algumas adaptações, quanto a encomendadas ele tem um promissor mercado a ser explorado .
obrigado.

Carlos José Dornelas disse...

Conheci o blog através da revista Superinteressante, e também sou um aficcionado por aviação e tecnologia militar, vou passar a frequentar. Você já fez algum post, matéria, enfim, sobre o A-10 Thanderbolt? Parabéns e abraço!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Carlos. Eu tenho sim um artigo especifico sobre o A-10. O link é: http://aircombatcb.blogspot.com/2006/11/fairchild-10-thunderbolt-ii-feio-sim.html
Para conhecer mais do conteudo dos 3 blogs militares que escrevo, vá na pagina inicial do blog e desça sempre para a segunda postagem que funciona como um indice.
Abraços

Cleidson disse...

Sobre o tema que os amigos mencionaram anteriormente, a possibilidade do país operar dois caças. Bem, a Revista F.A. nº 49, no editorial, afirma que em breve teremos um total de mais de 100 caças pra substituir(F-5M, AMX-M e Mirage 2000) e que estes caças devem ser trocados por um único tipo de caça. Daí eu fico pensando, se o Brasil fechar o acordo com a Rússia e levar os 36 SU-35 ou com a França e levar os 36 Rafale, nós continuaremos comprando esses caças até chegar na margem de 100?Quer dizer, nossa força será de um único caça? Devemos lembrar que tanto o Rafale como o Sukhoi são bimotores de alta tecnologia e certas missões são melhor realizadas por uma questão de preço por caças monomotores e que tenham menor custo. Assim, acredito que a FAB não vá optar por ser uma força de um único caça por uma questão de custos, ter uma dupla High/Low como a Austrália pretende fazer parece muito melhor. A questão é que temos hoje apenas dois caças monomotores preparados para os próximos 30 anos, o Gripen e o F-35 (não cito o F-16 porque este está em final de linha de produção tendo o F-35 como seu sucessor direto) e o Brasil já afirmou que não adquirirá o F-35 o que só nos permite adquirir o Gripen que também tem um custo considerável e é um caça quase americano tamanho a quantidade de peças que ele usa deste país. E então, o que a FAB deve fazer Carlos?Situação complicada a dos nossos comandantes...
Abraços a todos.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá. No fim o que deverá acontecer é quie a FAB, realmente ,vai operar doi aviões. OP FX será um caça novo e será substituto dos Mirages 3 e 2000. Já os AMX e F-5 deverão ser substituidos por outro avião, quer acredito será de segunda mão. Como isso só ocorrerá em, pelo menos 15 anos, qualquer coisa que dezermos sobre isso será mera especulação, mas eu penso que poderia ser caças JAS-39 Gripen usados ou F-16 usados para entrarem no lugar dos 2 aviões citados.
Abraços

Heitor disse...

Prezado Carlos,

Sobre o bombardeiro B-1, porque você menciona que seria mais fácil abatê-lo se ele voasse mais alto e mais rápido(mach 2), não seria ao contrário? Porque voando mais baixo é mais difícil de ser detectado?

Abraço.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Heitor.
Um avião voando alto a mach 2 ou mesmo a mach 3 como o antigo Blackbird, representa um alvo favil para sistemas de defesa aérea pois qualquer missil de longo alcance atual é capaz de mach 5, superando com grande folga a velocidade maxima dos aviões. Voando baixo, normalmente contornando o desenho do relevo, os obstaculos naturais, assim como a curvatura da terra são capazes de atrazar a detecção do avião, de forma bastante eficaz.
Abraços

Alcebíades disse...

carlos
vc fala que o f-35 será o 1º caça supersonico com capacidade stovl mas e o aviao russo yak 141?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Alcebiades.
O YAK-141, também chamado de YAK 41 freestyale, foi o primeiro caça com essa caracteristica. Porém no texto, a informação escrita é que o F-35B sera o primeiro a entrar em serviço. Veja que o YAK não entrou em serviço, ficando na ciondição de protótipo.
Abraços