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07 junho 2009

BOEING/ BAE SYSTEM AV-8B HARRIER II PLUS. A segunda geração da revolução


DESCRIÇÃO
Na historia da aviação há muitos marcos que são considerados revolucionários e que elevaram a capacidade das aeronaves mudando drasticamente a forma de se combater e assim obrigando a estrategistas e engenheiros a se adaptarem as novas táticas e criarem adaptações para o novo cenário que esses marcos revolucionários implicavam. Vimos nesses últimos 100 anos de aviação, as metralhadoras serem substituídas por canhões e mísseis guiados; os motores a pistão serem substituídos por motores a reação que elevaram em 150 % a velocidade das aeronaves em relação ao que víamos na primeira guerra e segunda guerra mundial; aeronaves com desenho projetado para não refletir ondas de radar e assim poderem operar no campo de batalha impunemente, etc...
Porém uma das invenções mais impressionantes e revolucionarias foi sem a menor sombra de duvida o desenvolvimento do primeiro avião de combate capaz de decolar e pousar verticalmente, como um helicóptero. Esse projeto que resultou no famoso caça “Jump Jet” Harrier, da Hawker Siddeley na década de 60, foi o primeiro a ser bem sucedido nessa capacidade e a operar com sucesso em combate, como visto na Guerra das Malvinas onde os Harriers e Sea Harriers foram extremamente bem sucedidos em manter a superioridade aérea, mesmo contra aeronaves que voavam o dobro da velocidade que esses pequenos aviões conseguiam desenvolver.
Acima: Em tempos de guerra o armamento transportado pelos aviões de combate dificilmente atingem a capacidade total do avião. Isso é necessário devido a perigosa perda de desempenho dos caças quando totalmente armados. Aqui um AV-8B aparece com uma bomba guiada a laser GBU-12 Paveway II durante a campanha Desert Storm, no Golfo Persico em 1991
Porém, com a experiência adquirida nos caças Harriers, os pilotos perceberam algumas deficiências no Harrier original que precisariam ser resolvidas para poder manter esses aviões como uma plataforma de combate válida nos anos 90 e no inicio do século 21. Assim a Mc Donnell Douglas, hoje Boeing Company, em associação com a BAE System, projetaram um novo Harrier, que nos Estados Unidos foi chamado de AV-8B Harrier II que como o nome já diz, se tratou da segunda geração do Harrier.
Acima: Este AV-8B durante um procedimento de reabastecimento em vôo. Essa capacidade foi bastante explorada durante a guerra do Golfo, onde o AV-8B participou intensamente em apoio aéreo para os fuzileiros navais norte americanos.
Muitas das mudanças incorporadas a o AV-8B podem ser vistas externamente, como as asas de maior diâmetro e com bordas de ataque aumentadas (LERX) para permitir, não só uma maior manobrabilidade, mas também mais combustível e armamento com o incremento de dois novos cabides de armas, um em cada asa. O cone do AV-8B foi modificado, também, com a instalação de um sistema multi-sensor Hughes AN/ASB-19 ARBS sistema que gerencia continuamente o ângulo para lançamento de bombas garantindo um aumento significativo na precisão de lançamento de armas, principalmente a bombas “burras” (sem nenhum tipo de guiagem). Na ultima versão do AV-8B, conhecida como Harrier II plus, esse sensor deu lugar a um novo radomo onde abriga um radar pulso doppler AN/APG-65 do mesmo tipo usado no F/A-18A Hornet e que permite uma melhoria na capacidade de combate ar ar do Harrier, pois a partir dessa mudança passou a incorporar mísseis ar ar AIM-120 Amraam em seu arsenal e assim executar missões de defesa aérea. Este radar possui um alcance de 140 km contra alvos com uma sessão frontal de um caça convencional (5m2). O uso do radar AN/APG-65 permitiu também uma melhora nas funções de ataque, pois com este equipamento pode-se atacar alvos navais com o uso de mísseis antinavio AGM-84 Harpoon. Outro sensor que o AV-8B Harrier Plus transporta é o pod de reconhecimento e designação de alvos Litening II, fabricado pela Northrop Grumman. Esse pod possui um apontador de laser para iluminar alvos de bombas guiadas a laser, um sistema de TV e um FLIR para operações em condições de clima adverso e a noite.
Acima: A instalação do radar multimodo AN/APG-65 trouxe para o Harrier II uma verdadeira capacidade de combate aéreo. A partir desta importante mudança, o AV-8B passou a contar com a possibilidade de lançar mísseis BVR (fora do alcance visual) AIM-120 Amraam.
O armamento do AV-8B é bastante variado. Ao todo podem ser transportados 6 toneladas de cargas externas nele. Ele pode operar com mísseis ar ar de curto alcance Raytheon AIM-9 L/M Sidewinder, guiados por calor; mísseis Raytheon AIM-120 Amraam guiados por radar ativo e com alcance que pode chegar a 90 km dependendo da versão. Para missões ar superfície o armamento principal do AV-8B é o míssil Raytheon AGM-65 Maverick guiado por TV, IR ou a laser, dependendo da versão. Este míssil é usado essencialmente contra alvos blindados como tanques e edificações de armazenamento de combustível e munições inimigas localizados a uma distancia que pode chegar a 28 km. Bombas “burras” MK-82/ 83/ 84 e bombas de fragmentação de diversos tipos. A mais recente arma ar superfície incorporada ao arsenal do AV-8B é a bomba guiada por GPS GBU-32 JDAM, fabricada pela Boeing. Esta bomba com 447 kg tem um alcance que chega a 24 km quando lançada em alta altitude e sua precisão é de 10 metros do ponto pretendido. Para ataques antinavio pode ser usado o míssil AGM-64 Harpoon como mencionado antes e o míssil britânico Sea Eagle, da BAE, e cujo alcance chega a 110 km e com guiagem por radar ativo.
O Harrier II pode ser armado com lançadores de foguetes de diversos calibres para saturação de área. As bombas guiadas a laser GBU-12 e GBU16 também são comuns nas asas do AV-8B.
O armamento orgânico é um canhão GAU-12U Equalizer de 5 canos rotativos em calibre 25 mm e com consegue uma cadencia de 4200 tiros por minuto. Este canhão está carregado com 300 cartuchos.
Acima: A Espanha usa seus EAV-8B Matador II no seu porta-aviões Principe de Asturias em todas as funçõs tipicas de um caça multimissão.
Outra mudança incorporada ao AV-8B Harrier II que não está aos olhos do observador é o seu novo motor derivado do Rolls Royce Pegasus 104, conhecido como Pegasus MK 105 ou F-402-RR-408 montado nos Estados Unidos. Este motor fornece um empuxo maximo de 10500 kg. Cerca de 25 % mais empuxo que a versão anterior e dando uma relação empuxo peso de cerca de 1.05 para o AV-8B. Mesmo assim o Harrier II ainda não consegue ser supersônico, o que acarreta uma das maiores criticas ao modelo para ser usado em missões ar ar. Porém esse aumento de potencia somado a nova asa, proporcionou uma significativa melhora na capacidade de manobra de combate.
A versão AV-8B Harrier II Plus é usada pelos Estados Unidos, Espanha e Itália. O substituto do Harrier II, o F-35B Lightining II, já descrito no Blog Campo de Batalha Aérea, já está pronto e voando sua fase de testes. De acordo com o cronograma planejado, no ano de 2012 os primeiros caças F-35B começam a substituir os Harriers II do corpo de fuzileiros navais da marinha dos Estados Unidos. Posteriormente os Harriers Espanhóis e Italianos deverão ser substituídos também dando o merecido descanso a este jato cuja origem do projeto já chega aos 50 anos.
Acima: O painel do AV-8B tem o layout tipico dos caças do inicio dos anos 90. Embora este padrão seja considerado ultrapassado nos dias atuais, ainda é um avanço consideravel em relação aos painéis dos Harriers originais.
FICHA TECNICA
Velocidade de cruzeiro: mach 0.75 (900 km/h)
Velocidade máxima: mach 0.89 (1070 km/h)
Razão de subida: 4485 m/min
Peso/Potência: 1.05
Fator de carga: +8 Gs, -3 Gs
Taxa de giro: 14º/s
Razão de rolamento: 200º/s
Raio de ação/ alcance: 556 km/ 3300 km (com 4 tanques externos)
Alcance do radar: Raytheon AN/APG-65 com 140 km de alcance.
Empuxo: 1 motor Rolls Royce F-402-RR-408 com 10500 kg de empuxo.
DIMENSÕES
Comprimento: 14,12 m
Envergadura: 9,25 m
Altura: 3,55 m
Peso: 6336 Kg (Vazio) 14600 Kg (Maximo)
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil AIM-9 L/M Sidewinder; Míssil AIM-120 Amraam
Ar Terra: Bombas de queda livre (burras) MK-82/ 83/ 84; Bombas guiadas a Laser GBU-12 /16; Bombas GBU-32 JDAM; Bombas de fragmentação; Míssil AGM-65 Maverick, Míssil AGM-84 Harpoon; míssil BAE Sea Eagle, casulos de foguetes (diversos calibres)
Interno: 1 canhão GAU-12U Equalizer de 5 canos rotativos em calibre 25 mm.
ABAIXO TEMOS UM VIDEO ONDE UM EAV-8B MATADOR II DA MARINHA ESPANHOLA SE APRESENTA EM UM SHOW AÉREO.
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26 comentários:

ZERO II disse...

Adoro esse avião. Sempre povoou meu imaginário naquela cena de True Lies.

Eu tava fuçando net afora e achei uma foto curiosa... O que c sabe sobre o MIRAGE "BALZAC", que também tinha decolagem vertical; projeto dos anos 60!!!

Valeu!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Zero II. O Balzac foi uma tentativa mal sucedida da Dassault francesa em projetar um caça supersonico e com capacidade VSTOL. A tecnologia naquela eopca não permitiu uma confiabilidade desta aeronave.
Abraços

Galileu disse...

com certeza a vitória da inglaterra nas malvinas deve-se ao harrier, e tem muito dele no f-35...

falow

poder bélico aéreo brasileiro disse...

olá caro carlos emilio, primeiramente parabéns pelo blog adorei esse artigo ah e valeu por mandar a atualização do blog pelo orkut.

esse é um super caça né de ultima geração. Ele tem um sistema parecido com o do F-35 ou é o mesmo? Ah. esses dias achei na internet um comentário que dizia que a frabricante do F/A-18 Hornet a Lockheed Martin ofereceu o caça F/A-18 Hornet para o brasil e eles ainda passariam a tecnologia do F/A-18 Hornet para a Embraer fabricar aqui no brasil o F/A-18 Hornet mais em troca(acho mais não tenho certeza), que eles queriam entrar no projeto KC-390 da Embraer eles construiriam a fuzelagem do avião KC-390 é verdade(dai aumentava ainda mais a acirrada disputa do projeto FX-2 da FAB)? Ah. Vi também que o EUA ofereceu para marinha Brasileira(não a força aérea)o F-35 (mais o ministro da defesa não comprou nem para FAB) que tem um projeto igual a esse do BOEING/ BAE SYSTEM AV-8B HARRIER II PLUS e ofereceu também o F-21 se realmente a marinha adiquirice esses caças ela estaria preparada mais felismente a dificudade de transferencia da tecnologia Norte-Americana não é mais problema mais falta a disponibilização do ministério da defesa e da verna né?
FORTE ABRAÇO AMIGO.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá. Obrigado pelas palavras. O AV-8B Harrier é um avião antigo e será substituido pelo F-35 em poucos anos. O sistema de decolagem do F-35 é mais confiavel e modeno que o do AV-8B. O F-35 foi oferecido para a força aérea mesmo, porém depois que a FAB deixou claro a importancia da transferencia de tecnologia da qual a era fundamental e o sEUA não aceitariam para o F-35, ai o F-35 foi retirado do pareo. O F-18E super Hornet está sendo oferecido sim ao Brasil, porém as possibilidades de montarem ele por aqui ainda são boatos.
Abraços

giovanidosantos disse...

A imagem mais legal que tenho do Harrier, é no Filme true lies, com eles passando e atirando, misseis na ponte e depois com o Canhão, e no final com o pouso vertical algo impar e lindo.

Valeu carlos.

carlito disse...

Ola, Carlos e turma!!
Belíssima matéria Carlos. O que me faz pensar, o Harrier tem alguns dados muito parecidos com o nosso A-1, seria muito interessante para a MB e a FAB, coloca um motor mais potente e com pós combustão e um radar mais forte, com as armas certas seria até mais letal que Harrier... bem é uma solução para nossas forças armadas já que não “termos disposição” para equipa os nossos esquadrões com Rafales e Su-30!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Carlito. Obrigado.
Uma modernização no AMX nesses moldes sairia muito caro. Seria mais economico comprar logo um caça de 2º mão como um F-16 para a substituir o AMX. Abraços

Skill disse...

Sem querer ser chato..mas os russos não foram os primeiros a desenvolverem este tipo de aeronave?

E possível num futuro falor sobre as aeronaves Russas VTOL?

abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Skill.
Na verdade o sistema do Harrier é original da Inglaterra mesmo. O que existe é uma confusão imposta pelos americanos com relação ao sistema de decolagem vertical do F-35B Lightining II. Os yankees gostam de dizer que o sistema é deles, originalmente. Não é. Os russos usaram o mesmo sistema no YAK-41 Freestyle. No futuro tratarei desse caça.
Abraços

Skill disse...

Obrigado Carlos!!

estarei no aguardo destas materias!

abraço

Edu-simoes disse...

O Harrier não seria melhor que os A-4 Skyhawks? Já que é pra comprar pronto?

A não ser que sirva apenas para doutrinar... E aí teríamos os Rafales F1 pelo menos pra defesa aérea do A-12...

... Mas e pra quê modernizá-los então?

Carlos "Cipher" Renato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos "Cipher" Renato disse...

Ei Carlos, seria uma boa idéia a MB comprar os Harriers da inglaterra agora que eles estão sendo desativados??
E sera que por um preço mais alto eles poderiam nos dar tranferencia de tecnologia???

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Cypher. Os harriers ingleses mais modernos tem muita tecnologia norte americana. Fora isso, essa tecnologia é ultrapassada. O avião em si seria bem aproveitado na marinha, pois ele é eficiente no PA São Paulo. Mas para a FAB penso que ele não tem espaço lá.
Abraços

Osasco .22 disse...

Eae, blz?

Nossa marinha deixou evidente que o A12 "São Paulo" é um veteor de treinamento de aviação embarcada, se houvesse interesse no f-35B, há aquisição dessa aeronave e um NA com sky-jump (kuznetsov, hms invensible, cavour,...) seria viavel?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Osasco.
Manter um navio aeródromo exige um montante financeiro que, infelizmente, nossa marinha não tem. Por isso sou contra insistir na operação de um navio porta aviões. Mas se fosse outra situação, e nosso país tivesse organização suficiente para manter um navio aeródromo, um porta-aviões com Sky Jump, equipados com o F-35B seria um investimento muito interessante pois ele é stealth, supersonico e tem capacidades muito uteis para bombardeiro.

MateusGM disse...

Carlos voce podia fazer uma materia sobre o Gloster Meteor.

Edmar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edmar disse...

Olá Carlos...

O AV-8B Harrier pode se defender de um caça supersônico que o queira abate-lo?

Ele só realisa ataques ou pode fazer defesa de esquadra igual o F-14 Tomcat?

Edmar disse...

Outra pergunta?

Supõe que a FAB escolha 36 caças Rafale com a "tal" transferencia de tecnologia.
Mesmo que não teja transferencia de tecnologia, a FAB também não poderia pelo menos comprar uns 24 caças F-35?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Edmar.
O AV-8B pode sim enfrentar e vencer um caça supersonico. Nas malvinas em 1982, o Sea harrier venceu todos os combates em que enfrentou o Mirage III argentino. Ele é bastante manobravel e além disso, ele é capaz de lançar misseis de médio alcance também.
O F-35 foi apresentado ao ministro da defesa e ao comandante da aeronautica, mas spo o comandante gostou do modelo. O Ministro da defesa Nelson Jobin não se empolgou com o modelo.
Abraços

Edmar disse...

Carlos...

O AMX A-1 depois de modernizado vai ter capacidade de lançar misseis de médio alcance?

O AMX A-1M vai ser superior ao Mirage III e a outros caças dessa geração?

Edmar disse...

Carlos...

Você como um cara entendido em tecnologia e em estratégia de defesa..., você não acha que independente de qual for o vencedor do FX 2, o Brasil no mínimo não teria que ter uns 60 caças e depois futuramente chegar a uns 150 caças?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Edmar. Depois da modernização o AMX continuará não tendo capacidade de lançamento de mísseis de medio alcance. Sua função é bem especializada em ataques a alvos terrestres. Ele terá, no entanto, capacidade de uso de misseis ar ar na ponta das asas, cuja capacidade não existe em alguns AMX da FAB. Comparar ele com um Mirage ou F-5 é inadequado pois se trata de um avião de outro tipo...
Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Edmar. Depois da modernização o AMX continuará não tendo capacidade de lançamento de mísseis de medio alcance. Sua função é bem especializada em ataques a alvos terrestres. Ele terá, no entanto, capacidade de uso de misseis ar ar na ponta das asas, cuja capacidade não existe em alguns AMX da FAB. Comparar ele com um Mirage ou F-5 é inadequado pois se trata de um avião de outro tipo...
Abraços