PESQUISA DE EQUIPAMENTOS

Pesquisa personalizada

16 Março 2010

LOCKHEED MARTIN F-117 NIGHTHAWK. O início de uma nova era.


DESCRIÇÃO
No segmento do desenvolvimento da tecnologia aérea, uma das muitas “peripécias” que se buscou por muitas décadas, desde o fim da segunda guerra mundial, foi a de construir uma aeronave de combate que fosse invisível, ou extremamente difícil de ser detectada pelo radar, o principal sensor de controle aéreo, usado desde aquele período. Os Estados Unidos aproveitaram a engenhosidade de muitos nomes de sua industria, assim como um estudo de um matemático russo chamado Pyotr Ya. Ufimtsev que publicou sua teoria da difração aplicada em ondas curtas e que foi, aparentemente, deixada de lado pelo governo russo. Duas empresas foram escolhidas a apresentarem soluções para esse desafio tecnológico, a Lockheed Martin e a Northrop Grumman.
Assim, os modelos desenvolvidos para testar o conceito da tecnologia stealth em aeronaves tinham um desenho facetado, com o objetivo de desviar o reflexo das ondas de radar para longe da antena receptora, e assim, diminuir ao máximo, a chance de ser detectado.
O modelo da Lockheed Martim foi escolhido, em março de 1976, pois sua furtividade era eficaz em todos os ângulos, e não só de frente como o modelo da Northrop.
Acima: O protótipo Have Blue 1001, foi o modelo que validou na pratica, a teoria aplicada no desenho da fuselagem do primeiro jato de combate invisível.
O programa de desenvolvimento do avião invisível, nesse ponto, passou a ser chamado de Have Blue, um nome que tinha o objetivo de confundir os observadores internacionais, sobre o programa. Como em todos os programas de desenvolvimento para aeronaves de combate, em maior ou menor grau, modificações são incorporadas no protótipo visando seu aperfeiçoamento para que o produto final seja o mais perfeito possível, dentro do que a força aérea requisitou. O Have Blue foi aperfeiçoado com diversas mudanças aerodinâmicas e o modelo que se tornou definitivo passou a ser chamado de Sênior Trend. Entre as maiores diferenças entre o Have Blue e o Sênior Trend, estavam o desenho das superfícies de controle verticais que no modelo definitivo eram montadas em “V”, enquanto que no protótipo Have Blue, eram inclinadas para dentro. Outra diferença foi o aumento do tamanho da aeronave que precisava ter uma boa autonomia e transportar suas armas internamente. O primeiro vôo da versão definitiva do Sênior Trend ocorreu em julho de 1981 e sua entrada em serviço ocorreu em outubro de 1983. O programa foi levado a cabo em sigilo e mesmo havendo rumores sobre a existência de um modelo invisível na USAF, o comando da força aérea nunca admitia que isso era verdade. Lembro, que naquela época, os boatos davam conta de que o caça invisível se chamava F-19, e muitos desenhos superfuturistas eram publicados em revistas e livros especializados em aviação militar mostrando linhas elegantes e curvilíneas. Todos os desenhos apresentados eram muito diferentes do real aspecto que o primeiro jato furtivo do mundo tinha. A primeira fotografia oficial do jato invisível foi publicada em novembro de 1988 e era uma foto de péssima qualidade, mas que deixava claro ser uma aeronave completamente diferente de tudo que já havia voado.
Acima: O inconfundível desenho do F-117 com sua cor negra, leva aos clássicos projetos da Skunk Works, responsável pelos projetos secretos da Lockheed Martin.
O novo caça, que não se chamava F-19 como era afirmado pelas publicações da mídia, foi batizado de F-117A Nighthawk. O que se viu foi uma aeronave de cor negra e com desenho totalmente facetado que mais se parecia um erro de projeto do que um avião que realmente voasse. As entradas de ar do motor são cobertas por uma espécie de tela metálica para ajudar na eliminação do eco radar que vem das palhetas do motor, dentro do duto das entradas de ar. Nesse ponto, é importante salientar que o F-117 só consegue voar devido a um avançado sistema FBW (fly by wire), derivado do sistema usado no ágil caça F-16, que promove uma estabilidade artificial durante o vôo de forma que, se esse sistema falhar, certamente o avião vai para o chão. O sistema FBW do F-117 não é o único sistema que veio de um modelo já em linha de produção. Os motores, por exemplo, são o General Electric F-404-GE-F1D2, uma versão sem pós-combustor do F-404 usado no caça naval F/A-18 A/C, que produz um empuxo unitário de 4900 kgf de potência. Esse desempenho proporciona uma pequena relação empuxo peso, na ordem de 0.40, o que se traduz em um desempenho de vôo subsônico, com uma velocidade máxima de 1040 km/h, porém com boa autonomia. O F-117 tem um raio de ataque de 860 km, o que pode ser considerado muito bom, uma vez que o F-117 não transporta combustível externo. Porém, na pratica sua autonomia pode ser considerada quase que ilimitada uma vez que ele pode ser reabastecido em vôo. A opção pelo uso da versão sem pós-combustão foi devido a necessidade de manter uma furtividade infravermelha, além da invisibilidade ao radar. Assim, sistemas de busca por calor (IR) são prejudicados para conseguir detectar o F-117, tornando o avião, um alvo muito mais difícil para mísseis guiados ao calor e sensores passivos IRST de aeronaves.

Mais recentemente, os F-117, receberam sistema de GPS integrado a um giroscópio a laser, que substituiu o antigo sistema de navegação inercial, que também tinha sido herdado do veterano bombardeiro B-52. O painel do F-117 é típico dos painéis de aeronaves de combate dos anos 80, mesclando displays multifunção, com instrumentos analógicos. Um HUD (Head Up Display) é usado para navegação e durante o procedimento de ataque, como nas aeronaves de seu tempo.

Acima: O painel do F-117 é bastante similar ao usado por caças convencionais de sua epoca, como o F-16 Fighting Falcon.
O F-117 não possui radar e por isso depende de dados recebidos de outras aeronaves além dos dados que são previamente carregados no computador de missão. Os sensores principais são o FLIR (Foward looking infrared), um sistema de detecção por calor, montado a frente do cockpit, e o sensor designador de alvos DLIR (Downward Looking Infrared), que é montado na parte de baixo da fuselagem, que além do FLIR, ainda conta com um iluminador/ designador de alvos a laser para guiagem de armas guiadas a laser. O alcance de detecção do FLIR do F-117 é de 32 km aproximadamente, o que representa a metade do que se conseguem com um sistema IRST moderno usado nos caças Rafale, Typhoon, ou mesmo nos russos da família Flanker e Fulcrum.
Acima: Deste ângulo pode-se observar as finas saídas de ar do motor que foram projetadas para resfriar os gases do escape a fim de manter uma discrição infravermelha. O F-117 foi o primeiro avião projetado com foco total na sua invisibilidade, tanto eletromagnética quanto infravermelha.
O armamento do F-117 é exclusivamente voltado para operações de ataque a alvos terrestres, sendo que ele não transporta nenhuma arma para combates ar ar. O foco do projeto foi apontado exclusivamente para a capacidade de penetrar densas defesas antiaéreas impunemente, e por isso, o armamento é transportado em dois compartimentos internos sob a fuselagem que só expõe as armas no momento do lançamento. O armamento principal é, sem sombras de duvidas, as diversas bombas guiadas a laser da família Paveway, principalmente os modelos GBU-24 Paveway III, GBU-27 Paveway III, GBU-12 Paveway II e GBU-10 Paveway. Porém o míssil anti-radar AGM-88 HARM e o míssil ar terra AGM-65 Maverick, podem ser transportados também.
Acima: As armas do F-117 só ficam exposta no momento do lançamento. Notem a porta do compartimento aberto, enquanto que esta GBU-27 paveway III é lançada.
O F-117 foi retirado de serviço em 2008, quando foram substituídos pelos caças F-22 Raptors, que são mais rápidos, bem armados e capazes de se defender sozinhos, o que o F-117 não seria capaz. O F-117 foi o primeiro caça invisível e por ser o pioneiro, ele trouxe algumas restrições bastante complicadas. O F-117 não manobra bem e sua baixa velocidade e pouca potencia, somado ao fato dele não ser armado com mísseis ar ar, o tornaram extremamente dependente de sua furtividade para se manter vivo no teatro de operações. Se ele fosse visto, visualmente, ou mesmo, por um radar que estivesse próximo demais dele, ele poderia ser interceptado sem conseguir se defender. Na guerra da Yugoslavia, um F-117 foi abatido por um velho missil antiaereo russo SA-3 Goa quando voltava para sua base após uma missão. Esse evento foi muito marcante para uma aeronave que era considerada invulneravel a armas guiadas a radar até esse momento.
O F-22 supera com folga o desempenho do F-117 e ainda é plenamente capaz de se defender, caso seja visto por um interceptador inimigo. Porém, mesmo fora de serviço, os F-117 estão armazenados em condição de serem trazidos de volta ao serviço operacional com rapidez. Por isso todos os sistemas da aeronave serão mantidos normalmente, para o caso de necessidade urgente.
Acima: Com o recurso de reabastecimento em vôo, o F-117 tem autonomia, praticamente, ilimitada. Ao todo, foram produzidos 59 unidades do F-117.
FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,92 (1040 km/h).
Potência: 0,40.
Fator de carga: 6 gs.
Teto de serviço: 15240 m (estimado).
Raio de ação/alcance: 860 km/ 1720 km.
Empuxo: 2 motores General Electric F-404 GE-F1D2 com 4900 kgf de potência máxima cada.
DIMENSÕES
Comprimento: 20 m.
Envergadura : 13,20 m.
Altura: 3,78 m.
Peso vazio: 13380 kg (vazio).
Armamento: 20268 Kg de armas que podem ser: Bombas guiadas a laser GBU-10, GBU-12, GBU-24 e GBU-27; Mísseis AGM-65 maverick e AGM-88 HARM.
Acima: Um desenho em três vistas do F-117A Nighthawk.

ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM ALGUMAS IMAGENS DO F-117.


Fontes: Livro Tudo sobre aviões de combate, editora Altaya; Livro Asas de Guerra, editora Planeta; Site Global Security; Site Air Force technology; Site Vectorsite; Site Military Today; Site Sistemas de Armas; revista Air Combat, suplemento especial sobre F-117.

Gostou deste artigo? Receba por e-mail o alerta de atualização do blog, mande um e-mail para campodebatalha.blogs@gmail.com

19 comentários:

rodrigo disse...

Boa matéria!!!
Não sabia que eles estavam sendo aposentados (ou mantidos em stand by), pode aprimorar a matéria relatando q até hj apenas uma aeronave foi abatida (SA-2 na sérvia, 1999) e as formas como foi detectada e derrubada. E também os acidentes (se não me engano, um caiu em um show aéreo em Langley).
Abração

Raphael disse...

Eu coloco minha mão no fogo como aeronaves como o F-22A, B-2A e PAK-FA podem ser abatidas por sams mesmo antigos. Eu nunca achei a tecnologia furtiva perfeita principalmente por causa do preço e pelo fato de não ser 100% invisível ao radar.

Na minha opnião o melhor seria aeronaves usando materiais compostos afim de baixar o RCS, grande capacidade de combustivel, grande capacidade de armas e radares com grande alcance além dos mísseis.

Samuel disse...

Colega Raphael vc não notou mais vc acaba de descrever o PAK FA, com grande capacidade de carga e alcance, em torno de 4500Km. Se um F-22C não sair do papel ele vai reinar nos céus num futuro próximo. e dominar o mercado tambem.

ZASLON disse...

Carlos, aqui é Sérgio, que colabora com o seu blog regularmente, ok? Na verdade, o F-117 abatido sobre a Iugoslávia em março de 1999 não o foi por uma bateria de SA-2 "Guideline", mas por uma de SA-6 "Gainful", enquanto operava sob código "VEGA 31", sendo pilotado pelo Ten.Cel DALE ZELKO, resgatado vivo horas depois. fonte: http://www.f-117a.com/Vega31/index.html

Coronel Gloria disse...

QUEIN GOSTA DE ARMAS.. TEIN NESTE SITIO O MELHOR COMO INFORMAÇAO.. a gente fica sempre ao dia.. otimo estimado amigo.. e adiante sempreeeee.. felicitaçoes a vosos letores.. por estar seguindo suas paginas.......

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Obrigado Coronel Gloria! Fico feliz com sua fidelidade. A senhora é uma das, se não, a mais antiga leitora deste Blog. Fico muito agradecido por isso!
Beijos!

renato gioseffi disse...

Dizem que o F-117 só foi abatido na yugoslávia pois seu compartimento de bombas não se fechou totalmente aumentando assim sua assinatura no radar. Outros dizem que foi sorte da artilharia anti-aérea (no caso SA-6)...Um abraço.

johnwolque disse...

olá carlos!venho a dois anos acompanhando seu blog,é uma grande honra comentar pela primeira vez nele!otima matéria sua ,como todas!enfim pelo que pude notar nela o projeto do f 117 não foi tão custoso pra os americanos ,visto que eles aproveitaram outros projetos como o motor(f18)e sistemas fly-by-wire(f16)para ele e sua furtividade se deve mesmo ao seu desenho, ao meu ver ñ estava tão inalcansavel assim para as outras nações(exeto b1 eb2)então porquÊ nehuma nação desenvolveu aviões Stealth? seria medo de "peitar os americanos?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá John.
Obrigado pelo elogio e por participar do blog. O custo, em s, foi até alto, se considerar o tempo de amadurecimento da tecnologia anti radar. Penso que a França e Russia aplicaram soluções de furtividade em seus novos modelos, e por isso não é justo dizer que não houve outras nações com soluções ara furtividade.
Abraços

Galileu disse...

Olá..

O f117 é um exemplo claro de furtividade, mesmo eu achando que o 1º a incorporar linhas facetadas foi um protótipo alemão (não lembro o nome), mas o f117 foi sim o 1º a incorporam "ram" que foi o pai do f22, tanto evoluiu essa tecnologia, que os f22 não tiveram sua manobrabilidade atingida por conta das linhas retas.

Quanto ao f117 que caiu eu acho qeu foi derrubado porque os f117 voavam muito baixo "visível" e os sérvios nao são tontos, colocaram sua defesa de ponto (não lembro o nome) e ficaram esperando o 1 f117 passar aí babauu.

A velha História tática Vs Técnologia.

abraço

Galileu disse...

Carlos você tem notícias do Ururtu 3?
será que o 1º fica pronto esse ano....

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Galileu. Não tenho novas noticias sobre o Urutu 3, mas certamente que o protótipo dele estará pronto ainda este ano.
Abraços

Climberson disse...

Muito boa matéria Carlos.
Acompanho seu blog há muito tempo, embora está seja a primeira vez que escrevo.
Tenho uma dúvida com relação ao sistema de resfriamento do ar que sai pela motor.
Em clima frio e úmido quando o ar entra na turbina a úmidade do ar condensa, quando esta umidade sai da turbina forma aquele rastro em forma de vapor, traçando um risco de vapor atrás do avião. Isto acontece no F-22 e em outros aviões furtivos. Já que um rastro deste pode ser visto a kilometros de distância, embora o sistema resfrie o ar, ele impede esta condensação do vapor?
Abraçõs

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Climbersom. Obrigado por acompanhar o blog e participar dos comentários. Eu, infelizmente, não sei explicar o fenômeno da condensação do vapor de agua nos bocais de saída do motor.
Abraços

Thiago disse...

Olá Carlos!

Como sempre as suas materias, estão completas e com uma didática de fácil entendimento, ate mesmo para pessoas leigas no assunto.

Sei que o seu tempo é curto mas gostaria de ver mais materias no espaço destinado a força terrestre!

Um grande abraço a todos os frequentadores do blog e aos irmãos de armas!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Thiago. Obrigado pelo elogio. Coincidentemente, devo estar publicando uma materia nova no blog terrestre entre hoje e amanhã. Abraços

Ivo disse...

Galileu,

Quanto ao F-117 abatido na antiga Iugoslávia, nunca se soube a verdadeira forma como os servios o iluminaram nas suas telas de radar, mas existem algumas explicações + - aceitas:

- o fato de os americanos sempre voarem rumo ao campo de batalha usando a mesma rota. Esse fato permitiu que os servios cauculassem com relativa exatidão o horário em que estes caças estivessem no espaço aéreo dos principais alvos militares.

Tb exstem teorias que falam que uma das portas dos compartimentos de bombas tenham falhado na hora de fechar, obrigando o piloto a voar o Vega 31 sem conseguir fazer uso da invisibilidade. Desta forma, os radares servios conseguiriam localizar ele com bem mais facilidades....

Outra teoria é que os sérvios, sabedores do horário da decolagem desses caças desde a base de Aviano (Itália), teriam montado uma armadilha, deixando um radar emitindo à plena potência para atrair o fogo deste, enquanto estes tentavam o acertar com diversos SAM disparados às cegas. Neste caso, um teria explodido perto o suficiente para danificar cabos e mangueiras hidraulicas da aeronave....

Teorias da conspiração para o ocorrido é que não faltam....

A verdade mesmo, só o piloto e a USAF sabem.....

Ou sei lá, quem pode garantir que num foi um S-300 operado por oficiais russos que conseguiu esta proeza????? vai saber......

abraços.

Vassili.

Ivo disse...

devemos lembrar que, poucas horas antes das primeiras bombas começarem à cair nas cabeças dos sérvios, os russos ocuparam uma parte do aeroporto de Belgrado.

Estranho isso, né não????? tentavam proteger o que?????? deveria ser algo muito valioso, para merecer uma atenção como esta.

abraços.

andersson disse...

opa amigo, aceita parceria meu blog e esse

fsdemais.blogspot.com

apenas uma parceria link add meu link aqui que eu add o seu link la ok