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17 Agosto 2010

BOEING F-15I "Ra' am". O trovão israelense

ORIGENS Por Sergio Santana
Freqüentemente definido de modo apressado como “um F-15E judeu”, na verdade esta aeronave é bem mais que uma versão do Strike Eagle a serviço das necessidades aeronáuticas militares israelenses.
Suas origens datam de 1991, quando durante a “Operação Tempestade no Deserto” efetivos iraquianos lançaram 40 mísseis superfície-superfície “Al-Hussein” (versão de maior alcance do modelo soviético R-17E “Scud-B”) contra o território israelense. Logo em seguida estudos da então Força Aérea das Forças de Defesa de Israel – re-designada em 2005 como Força Aeroespacial de Israel – comprovaram que o F-15B/D “Baz” seria capaz de interceptar tais ameaças apenas se o seu radar AN/APG-63 fosse adaptado para detectar um alvo acelerando verticalmente, também sendo necessária uma arma de maior alcance que a bomba planadora GBU-15, o único projétil de precisão então disponível àquelas aeronaves.
Acima: O F-15I pode ser considerado o mais poderoso caça bombardeiro pesado de todo o oriente médio. Com esta aeronave de combate, Israel pode infringir sérios danos contra alvos em qualquer país daquela instável região.
Este último requerimento se tornou realidade quando os “Baz” foram integrados em 1993 ao míssil Rafael Popeye, com 90 km de alcance, sendo acrescidos de seis F-15B pouco depois, estes sendo parte do “Peace Fox V”, em termos reais um programa para “agradecer” por Israel não ter retaliado aos ataques iraquianos, assim prejudicando a contribuição árabe à Coalizão contra Saddam Hussein.
Embora ainda mais capazes contra alvos terrestres, faltava às aeronaves convertidas o poder de destruir mísseis como os “Scud” logo após o lançamento, o que ainda em 1993 provocou a emissão de um requerimento técnico para o fornecimento de um caça multifuncional para missões em qualquer tempo de longo alcance, habilitado, dentre outras funções, para tais ataques, e em quantidade suficiente para equipar dois esquadrões (50 aeronaves). O Lockheed Martin F-16D e o McDonnell Douglas F/A-18D foram propostos, mas descartados devido ao alcance insuficiente, com o F-15E (operacional na USAF desde 1988) sendo abertamente declarado como a plataforma ideal, embora ainda não liberado para exportação. Antecessor deste, o F-111 “Aardvark” foi cogitado para preencher a lacuna; mas a sua incapacidade de atacar em qualquer condição meteorológica, defender-se como o Strike Eagle de outras aeronaves, antiquada tecnologia da aviônica de missão bem como da sua manutenção eliminaram também o “Vark”.
Acima: Com seus potentes motores Pratt and Whitney F-100 PW 229 com 14500 kgf de empuxo, o F-15I atinge uma velocidade máxima de 2650 km/h em alta altitude.
Naquele mesmo ano a Arábia Saudita adquiriu 72 exemplares do F-15XP, (mais tarde designado F-15S, uma versão com equipamento de missão menos poderoso que o do F-15E) e o governo israelense celebrou com a Organização para Libertação da Palestina o Acordo de Oslo, com ambos os acontecimentos vistos como ameaças ao poderio bélico de Israel. Em resultado foram adquiridos em maio do ano seguinte 25 F-15I (I de Israel) com parte de recursos sendo inicialmente liberados para helicópteros Blackhawk. O primeiro vôo ocorreu em setembro de 1997 e exatos dois anos depois todas as aeronaves foram entregues à única unidade operacional do tipo, o Esquadrão 69 “Ha’ Patishin” (Martelo), ativado em julho de 1948 logo após a independência do Estado hebreu, voando três bombardeiros B-17, e hoje baseado em Hatzerim. Durante janeiro de 1999, o F-15I, designado “Ra’am” (trovão), teve seu batismo de fogo no sul do Líbano, e cinco meses mais tarde o comandante do Esquadrão destruiu com quatro bombas de 907 kg guiadas a laser duas pontes sobre os rios Awali e Litani em uma missão noturna, com os alvos parcialmente cobertos por nuvens, demonstrando o alcance e a precisão do novo vetor. Mais recentemente, em setembro de 2007, o Ra’am foi utilizado para destruir o que foi detectado como uma instalação nuclear síria em Deir Ez-Zor, na “Operação Orchard”.
Acima: Um F-15I sai da formação de reabastecimento aéreo. Notem perto da raiz da asa a abertura do receptor de combustível ainda aberto. O F-15I excede 5000 km alcance de travessia com reabastecimento aéreo.
EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS DE MISSÃO E ARMAMENTOS
Tal como acontece com o F-15S, o “Ra’am” tem seu sensor principal em uma versão de potencial algo diminuído do radar AN/APG-70, denominada AN/APG-70I, esta sendo uma prática comum quando potências industriais vendem seus produtos bélicos. Ainda que não possua os modos de “Ataque/Perseguição Eletrônica” nem a capacidade de “Reconhecimento de Alvos Não Cooperativos” como no Strike Eagle, o dispositivo instalado no F-15I é integrado por menos módulos que o AN/APG-63 a bordo dos “Baz”, possuindo memória dez vezes superior, ativada até cinco vezes mais rápido que a daquele aparelho. Atuando na banda I/J, cobre um ângulo de 120 graus à frente da aeronave, operando em 15 modos ar-ar e quatro ar-superfície. Dentre os primeiros destacam-se a “Varredura Vertical”, que detecta qualquer alvo a no mínimo 150 metros de altitude e distante até 18.5km que esteja situado numa área de 7.5 graus horizontais e 5/55 graus verticais; a “Super Busca”, que detecta o primeiro alvo com os mesmos parâmetros de altitude/distância a penetrar num círculo de 20 graus de abertura projetado no HUD e o rastreio-com-varredura, quando pode detectar 10 alvos ao mesmo tempo, embora só possa atacar um alvo por vez, com velocidade mínima de 84 km/h, com o alcance máximo contra alvos aéreos sendo de 185km. Já contra objetivos terrestres, destaca-se o modo de “Mapa Real” que pode abranger uma área distante até 148 km no interior da qual há a possibilidade de ser ativado o modo “Mapa de Alta Resolução” com até 74 km2 de área, se a aeronave estiver voando a 330 metros (a melhor resolução, 2.6 metros, é obtida a distância de até 37 km dessa zona, quando veículos podem ser identificados) e o de “Alvo Móvel Terrestre”, capaz de detectar, por exemplo, caminhões e blindados a até 59 km. Os modos ar-superfície atuam segundo os princípios funcionais de Abertura Sintética, imunes a nuvens, fumaça e nevascas.
Acima: Este F-15I foi flagrado pela camera no momento em que superava a velocidade do som. Os caças da familia F-15 são um dos 5 caças mais rápidos do mundo.
O F-15I é equipado com quatro rádios U/VHF de origem israelense, assim como Sistema Integrado de Guerra Eletrônica SPS-2110 (capaz, dentre outras funções, de alertar a aproximação de um míssil) e o Sistema de Guerra Eletrônica SPS-3000, que substituíram sistemas norte-americanos. Há também datalink da Rafael e o Sistema de Coleta e Transferência de Dados RADA, que se assemelha a um cartucho de dados com os parâmetros das missões. A aeronave é integrada a pods LANTIRN e Litening. Ao todo há cerca de 16 computadores gerenciando todos os sistemas, cujos dados são mostrados em três displays multifuncionais para o piloto (um deles colorido) e quatro para o navegador/operador de armas (dois coloridos). Ao todo são possíveis 27 opções de exibição em tais mostradores, incluindo imagens de satélite. Para missões noturnas, a tripulação do “Ra’am”, acomodada em assentos ejetáveis ACES II, utiliza óculos de visão noturna “Journal”, enquanto para surtidas diurnas usam o visor DASH.
Acima: Neste desenho podemos ver o F-15E Strike Eagle em corte. O F-15I tem uma configuração interna similar.
FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 1000 km/h
Velocidade máxima: 2650 km/h
Razão de subida: 15240 m/ min
Potência: 0.87
Fator de carga: 9 Gs
Taxa de giro: 16,5º/s
Razão de rolamento: 240º/s
Raio de ação/alcance: 1270 km/ 2540km
Alcance do radar: 160 Km
Empuxo: 2 X Pratt and Whitney F-100 PW 229 de 14500 kgf de empuxo.
Comprimento: 19,45 m
Envergadura: 13.5 m
Altura: 5,64 m
Peso vazio: 20411 kg (vazio)
Armamento:
Ar Ar: Míssil AIM-120C Amraam, Míssil AIM-9L Sidewinder, Míssil Python 4.
Ar Terra: Bombas JDAM (todas),Bombas Paveway (todas), Bombas GBU-28 e GBU-39 SDB, mísseis HARM, Misseis Maverick, mísseis AGM-84 Harpoon/ SLAM, mísseis TSSAM e mísseis AGM-142 Popeye. Interno: 1 canhão General Electric M61 de 6 canos de 20 mm e 940 projéteis.

ABAIXO PODEMOS VER UMA DEMONSTRAÇÃO DO F-15I

Fontes:
Livros:
1 - F-15 Engaged - The world's most succesful fighter (Steve Davies & Doug Dildy, Osprey Publishing,2007;
2 - Israeli F-15 Units in Combat (Shlomo Aloni, Osprey Publishing, 2006;
3 - F-15I RA'AM In IAF Service - (Ra'Anan Weiss, Isra decal Publication, 2006;
4 - Jane's Radar And Electronic Warfare Systems 2003 (Jane's Information Group)
Revista:
Israel Air and Space Force 2010 (Ofer Zidon, Combat Aircraft Monthly Magazine, Volume 11, Nº 8, Agosto de 2010)


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19 comentários:

Luiz Carlos disse...

O F15 realmente é espetacular ! Até hj um projeto vencedor, para mim uma obraprima da engenharia. Mesmo com o F22 ou os Su superflanker e o futuro PAK 50 é dificil causar o mesmo tipo de revolução q foi o F15.

luiz camacho disse...

pensei agora como seria um combate entre f-15s de israel e da arabia saudita ! alguem pode me responder :

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz Camacho.
Creio que a diferença entre ambas as versões é pequena a ponto de tornar a resposta relativa... O melhor piloto venceria...
Abraços

Raphael disse...

Mesmo sendo um jogo, (no caso o Ace Combat Zero) nunca vi um caça que tivesse melhor aceleração e manobrabilidade para um avião do seu tipo como a do F-15E !!!!!!!!!! Ganha até do MiG-31 q chega a Mach 3 !!!!!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

O MIG-31 é uma arvore de natal para os radares inimigos.... Um F-15 armado com Amraams teria uma certa facilidade em atingir o Foxhound, desde que este não fugisse. hehehehe

Galileu disse...

Não sei se o Mig 31 tem mesmo problema do Mig 25 que mesmo podendo atingir tão altas vel. era muito arriscado, engenheiro não aconselhava ahahah

Quanto ao F15 ele é fantastico, mesmo eu sendo fã do Su27/30, tenho que reconhecer que o F15 é uma bela aeronave visualmente formato da asa e tecnicamente....!!

Agora seria um sonho o Brasil sentar no colo do Tio San e adquirir uns silent eagle esse sim um caça de 5G acessível, pra FAB de hj não ahahaahh

E aí carlos acha que o silent eagle fantástico, pelo que ele oferece??

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Galileu.
Eu acredito que o Silent Eagle não seja tão furtivo quanto a Boeing alegue pois o seu desenho não teve nenhuma mudança. As superfícies verticais, no modelo SE originai seriam abertos para fora, o que certamente ajudaria na furtividade, mas o modelo definitivo terá as mesmas superfícies verticais dos F-15 normais. Aquele compartimento interno de armas é uma "gambiarra" que pode ser adaptado em qualquer F-15.

vonkrepke disse...

Obviamente se trata de um aviao fantastico...

Mas o que me chamou a atencao foi a parte em que diz: "e em quantidade suficiente para equipar dois esquadrões (50 aeronaves)"

Enquanto o Nosso FX2 Encantado (que nem mesmo creia que saia) fala de 36 aeronaves...

Para o Tamanho do Brasil... quantos Rafale necessitariamos?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

A quantidade minima para cobrir pontos importantes do Brasil, seria de 100 caças. Mas isso é caro demais de manter, pois de nada ter 100 aeronaves e só poder fazer voar 20 delas por motivo de falta de manutenção.

Vader disse...

Esse F-15 israelense é simplesmente impressionante. Creio que é a melhor versão do F-15 em atividade.

Ótima matéria, parabéns Emílio.

Lucas disse...

Ola Carlos!
perfeita sua materia!
gostaria de saber...
apos o pacote bilionario da arabia saudita ela vai ter 242 caças f-15 em 2 versoes diferentes!
queria saber se o total de f-15 de israel e mesmo 52... e se em caso de uma guerra entre os dois... e, questao de equipamentos ( caças, helicopteros, e forças terrestres) quem seria o vencedor?
e gostaria de saber... se ja foi oferecido e se temos suporte para ter e manter uma aeronave desse tipo em grandes quantidades de acordo com a nossa necessidade!

Lucas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Lucas. Segunda a revista Aviationweek, Israel opera 68 F-15 em 4 versões. A. B, D e a I.
Por menos equipamento que Israel tenha em relação ao que a Arabia Saudita terá, vale lembrar que a experiência de combate de Israel é rica e eles possuem, por isso, os melhores pilotos do mundo. Isso pesa também.
Abraços

caio disse...

os F-15's como por exemplo o F-15 K Sul Coreanos, ainda possui autoridade nos dias de hoje? preço deles sao elevaods? e os custos? em um provavel senario para a america do sul, seria um aparelho a fazer frente com os SU's venezuelanos, F-16 chilenos e o snossos F-5 e Mirage 2000-5?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Caio. O F-15E ou F-15I, pode nfrentar bem os caças Flanker, F-16C Chilenos, nossos F-5M e Mirages 2000-9, principalemnte se estes modelos de adversários estiverem sem apoio de uma aeronave AEW como nossoE-99 ou um E-3 AWACS. No que diz respeito ao desempenho de manobra e armamentos, o F-15I pode ser considerado uma boa aéronave, porém, pe inferior ao Rafale, Typhoon, Flankers de versões mais recentes como a Su-30 MKK e MKI e o Su-35BM. Essa inferioridade, porém, não coloca uma sentença de morte ap F-15E/I em caso de combate.... apenas significa que seu piloto terá uma "ferramenta" com menos capacidade, mas que se bem trabalhado, pode vencer alguns combates contra estes aviões melhores.
Compreende?
Abraços

caio disse...

compreendo. é que li que a algum pais arabe andou encomendando o F-15 Slient Eagle, e a Coreia do Sul tem o seus F-15K. Mas o preço dele pelo que pesquisei é cerca de 100 milhoes de dolares. Devido a esse preço, é vantajoso operar uma aeronave dessas? pq com esse preço vc compraria aparelhos recentes né?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá caio. A Arabia Saudita está para fechar um grande contrato militar com os EUa para compra de caças F-15, porém não está claro se serão da versão Silent Eagle. Além dos caças eles encomendarão uma quantidade de armamentos incrivel.... Parece, até, que, realmente, eles estão se preparando para uma grande guerra....
Abraços

Thiago A. disse...

Olá Carlos.

Israel hoje tem condições de obter êxito em um ataque preventivo contra as instalções nucleares iranianas, assim como foi no caso das instalações iraquianas ?

Aliás, Israel sozinho teria condições de enfrentar uma situação de guerra total contra o Irã ?

Abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Thiago. Israel tem condições de invadir o espaço aéreo iraniano e lançar suas bombas contra os alvos selecionados, porém, independentemente de eles acertarem estes alvos, o Irã, continuará com seu programa nuclear. Israel é muitissimamente mais bem equipado e treinado que o Irã, e certamente venceria uma guerra contra eles, hoje.
Abraços