PESQUISA DE EQUIPAMENTOS

Pesquisa personalizada

27 Setembro 2010

BAe HAWK. O mestre falcão inglês.

DESCRIÇÃO
Quando o assunto “aeronave de treinamento” aparece num site ou em um blog como este, os leitores podem pensar com desdém ou imaginar que o assunto “legal” está acabando, uma vez que a grande maioria dos leitores deste blog se interessam por aeronaves de combate de alto desempenho como o Typhoon ou o Flanker. Se você se enquadra nesse “perfil” que descrevi acima, sugiro que leia atentamente sobre o pequeno avião que tratarei neste artigo, pois, certamente, ele já faz parte da história da aviação militar como um dos maiores sucessos de todos os tempos no segmento de aeronaves militares.
Concebido pela Hawker Siddley Aviation no final dos anos 60 (Sim!!! A quase 40 anos!!!) o pequeno jato batizado, originalmente, de HS-1182, foi escolhido em 1971, para ser o novo jato de treinamento e conversão da RAF (Royal Air Force) ou Real Força Aérea Britânica. O HS-1182 foi rebatizado de Hawk em 1973 e a empresa Hawker Siddley Aviation se juntou com outras empresas aeroespaciais e formou a gigante British Aerospace (BAe).
Acima: Os primeiros Hawks tinham um sistema de lançamento de armas bastante básico e por isso seu armamento era limitado a bombas, foguetes e um canhão de 30 mm.
As características aerodinâmicas do Hawk proporcionaram a ele uma qualidade de vôo e uma agilidade notável de forma que logo a equipe de demonstração aérea britânica Red Arrows, adquiriu o modelo e o mantém em uso até os dias atuais, e com certeza continuará usando este excelente avião por décadas ainda. O Hawk possui capacidade de manobra elevada e pode puxar curvas sustentadas de 14º/seg e uma carga de 8 Gs positivos e 4 Gs negativos.
O Hawk não foi projetado apenas para ensinar a pilotar. Na verdade, ele foi pensado para ensinar a lutar e por isso seu projeto previu o uso de armamentos desde o início, de forma que ele pode ser usado para ataque leve e combate aéreo de curto alcance.
Acima: A capacidade acrobática do Hawk lhe garantiu um lugar no esquadrão de demonstração aérea Red Arrows, equivalente britânico de nossa esquadrilha da fumaça.
Sua propulsão fica a cargo de um pequeno motor Rolls Royce/ Turbomeca Adour MK-151-1 sem pós-combustor que produz um empuxo de 2356 kg. Este motor permite que o Hawk atinja velocidade máxima de 1038 km/h. As novas gerações do Hawk tiveram o motor original substituído por modelos mais potentes fabricados pela mesma empresa. O Hawk AJT, o modelo mais recente, está equipado com um motor Rolls Royce/ Turbomeca Adour MK 951 com 2945 kg de empuxo. Esta versão, mesmo tendo um motor pouco mais potente, ainda tem uma velocidade menor, chegando a 1000 km/h, devido a mudanças aerodinâmicas e aumento de peso pela incorporação de uma aviônica mais completa.
O cockpit do Hawk está configurado com o sistema HOTAS (mãos no comando e no acelerador) e um HUD. O painel é bastante similar ao de um caça de 4º geração, o que facilita a adaptação do Hawk para um caça de maior desempenho.
Acima: A força aérea australiana comprou 33 Hawk MK-127 usados para treinamento e apoio aéreo. Nesta foto pode-se ver o formato da nova asa que permite o uso de mísseis ar ar AIM-9L Sidewinder na ponta das asas.
Como dito no início deste artigo, o Hawk possui uma capacidade ofensiva que foi planejada desde sua concepção. Assim, os Hawks iniciais eram armados com bombas de queda livre (bombas burras), casulos lançadores SNEB de foguetes de 68 mm, além de um canhão Aden removível em calibre 30 mm, montado em um casulo no pilone central da fuselagem. Este canhão possui uma cadência de 1700 tiros por minuto e sua munição tem alcance de 1500 m. São transportados 120 munições de 30 mm para este canhão. Já as versões mais modernas do Hawk, podem ser armadas com mísseis ar ar AIM-9L Sidewinder, guiados por infravermelho (IR). Esta versão do Sidewinder tem alcance de 18,5 km, contra alvos vindo do quadrante frontal. Outro importante incremento na capacidade ofensiva do Hawk foi a integração do poderoso míssil ar superfície AGM-65 Maverick que pode ser guiado por Infravermelho (IR), TV, ou Laser, dependendo da versão.
Acima: O Hawk 200 é uma versão de combate puro e por isso teve retirado o segundo assento do instrutor. esta versão está equipado com radar AN/APG-66H e pode transportar armas mais sofisticadas.
A marinha dos Estados Unidos encomendou o Hawk em 1981 em uma versão modificada que pudesse ser operado em porta aviões para treinar seus novos pilotos em operações navais. O modelo norte americano é chamado de T-45 Goshawk e é fabricado, sob licença, pela Boeing. Foram construídas duas versões do Goshawk. A versão A e a mais recente versão C, que totalizaram mais de 200 unidades construídas em solo norte americano. O modelo T-45 deriva do Hawk MK-60, porém usa um motor diferente, o Rolls Royce F-405-RR-401 que produz 2504 kg de potência.
Acima: O T-45 Goshawk é a versão naval do Hawk, usado pela marinha dos Estados Unidos. Este avião é muito admirado pelos militares norte americanos que deverão manter ele em serviço por muitos anos ainda.
Mesmo sendo um projeto antigo, o Hawk tem mostrado fôlego para novas exportações, graças a seu soberbo desempenho e sua flexibilidade de emprego devido a sua capacidade ofensiva. O Hawk deverá se manter em linha de produção por muitos anos ainda e seu uso continuará por décadas graças a os novos operadores que tem encomendado este pequeno jato. A versão mais recente deste jato é a AJT (Advanced Jet Trainer), atualizada com sistemas que o tornam mais próximo dos caças de 4º e 5º geração que os futuros pilotos terão em suas mãos.
O Brasil poderia fazer um excelente uso deste avião uma vez que seus AT-26 Xavante não agüentam mais nada, além de ter um desempenho muito abaixo do ideal para treinar os novos pilotos.
Acima: O painel do Hawk 100 é muito similar ao encontrado em cockpits de caças de 4º geração como o F-16, por exemplo. Isso facilita muito a conversão do piloto novato para os caças de primeira linha.

FICHA TÉCNICA (Hawk 128)
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,80 (950 km/h)
Velocidade máxima: Mach 0,84 (1000 km/h)
Razão de subida: 2820 m/min (Hawk 100), 3660 m/min (Hawk 200)
Potência: 0.65
Taxa de giro: 14º/s (sustentada)
Razão de rolamento: *240º/s
Raio de ação/ alcance: 1260 km/ 2525 km
Empuxo: Um motor Rolls Royce Adour,MK-951 sem pós combustor, que produzem 2945 Kgf de potência.
DIMENSÕES
Comprimento: 12,43 m
Envergadura: 9,94 m
Altura: 3,98 m
Peso: 4480 kg (vazio).
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil AIM 9 Sidewinder.
Ar Terra: Míssil AGM-65 Maverick, Bombas de queda livre MK-82, canhão Adem de 30 mm em casulo, casulo de lançadores de foguetes SNRB de 68 mm.
Acima: Nesta foto podemos ver o Hawk MK-127 ao lado do F/A-18A Hornet , principal vetor de defesa aérea da Austrália, atualmente.
Acima: Aqui podemos ver um desenho de um Hawk em corte.

ABAIXO PODEMOS VER UM VIDEO DE DEMONSTRAÇÃO DO HAWK EM UMA FEIRA AÉREA.

Fontes: Livro Asas de Guerra, Editora Planeta; Livro Guia de Armas de Guerra Aviões de Caça, Editora Nova Cultural; Site Air Force Technology; Site Military Today; Site Vectorsite, Site BAe (fabricante), Site Deagel; Site Global Security.

Gostou deste artigo? Receba por e-mail o alerta de atualização do blog, mande um e-mail para campodebatalha.blogs@gmail.com

14 comentários:

Roberval disse...

Carlos reconheço que o Hawk e um belo exemplar de treinador avançado, mas na minha modesta opinião estariamos melhor servidos com o M-346 Master ou ainda o T-50 Golden Eagle, ou sendo utópico, vez que equipamento russo causa ojeriza em alguns brigadeiros poderiamos abrir um novo mercado com o russo Yak-130.
Cabe a ressalva que perdemos uma excelente oportunidade com o AMX-T da Embraer

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Roberval. Realmente o M346 e o T-50 apresentam um desempenho superior. Porém são mais caros também.
O Hawk é bastante flexível em termos de capacidade operacional, e ainda tem um custo de aquisição e operação relativamente barato.
Abraços

Leonardo disse...

Comparando-se com o Hawk,a relação custo-benefício do checo Aero L-159 e do Yak-130 não fariam estes dois também bons candidatos candidatos à altura para substituir nossos jurássicos Xavantes?

Leonardo disse...

E sobre os chineses L-15 e JL-9,se modernizados com um cockpit israelense como nossos Super Tucanos não seriam opções interessantes e baratas ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá leo. O L-15, especificamente, ja é moderno, até mais que o Hawk. O L-159 é outro excelente jato. O mercado tem boas opções. O L-159 tem custo baixo, o que o torna outra excelente escolha.

ZERO II disse...

Galera, não falemos de custo-benefício, quando falamos de Brasil... Falemos só de custo.

Fica mais interessante...

Raphael disse...

A Embraer possui tecnologia para construir um avião de ataque leve e treinamento como no antigo projeto do MFT-LF.

O Problema é que a Embraer é praticamente dos gringos e o governo não insentiva à produção de um jato aqui no Brasil.

Eu acho que o melhor seria o Yak-130 por 3 motivos: Os Russos fizeram um contrato para 200 unidades até 2015, Não usa equipamento americano,inglês ou francês com isso não irá sofrer sanções e o Brasil pode negociar com os Russos a fabricação sob licença do Yak-130 aqui no Brasil.

Argélia,Vietnã e Libia adquiriam 8 cada um

Galileu disse...

Pra mim melhor que o M-346 não há....parece obra de arte aquela aeronave.

Mas além de ser mais caro, claro, a FAB também já optou pelo seu Lift que é o ST. Claro muito se fala que a FAB está a procura de um verdadeiro lift, mas querer é uma coisa poder é outra, e não preciso ser vidente pra saber que o ST será usado nessa função por muitooo tempo.

abraço

ZERO II disse...

Carlão, vi uma materia um tanto temerosa... A de que poderia surgir um outro "Fill Gap" na Força Aérea, que poderia adquirir uma "meia sola" de 60 Mirage 2000-9 comprados dos Emirados Árabes!

Pelo que vi são ótimas aeronaves, mas não é o que precisamos... No entanto, o que você pode nos dizer aqui no aircombat sobre essa aeronave?

Um abraço!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Zero.
Tenho um artigo sobre o Mirage 2000-5, do qual o -9 dos Emirados Árabes, derivam. As diferenças entre eles são meros detalhes. Considero que o Brasil precisa de um caça de 4 167 geração, no mínimo e o Mirage 2000 não supre essa necessidade, mesmo sendo uma aeronave capaz.

gabrera disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gabrera disse...

Comandante Di Santis...

Muito bom seu artigo,eu ao contrário da maioria gosto mais de aeronaves e equipamentos bélicos para chamada guerra de baixa intensidade e guerrilha como esse Hawk e os helicópteros,os caças são legais também,aliás gostaria de sugerir que fizesse uma matéria sobre o Mirage F1,sou fã daquele caça...

Obrigado ,continue sempre com excelentes matérias,seu blog é referência para consultas sobre equipamentos bélicos variados...

Abraços!

gabrera disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Gabrera.
Muito obrigado pelo elogio. Vou estudar a sugestão de fazer um artigo sobre o Mirage F-1
Abraços