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26 Novembro 2010

HINDUSTAN AERONAUTICS LIMITED HJT-36 SITARA. Uma categoria a parte na fase de formação do piloto


DESCRIÇÃO
Alguns países possuem orçamentos de defesa mais “generosos” e por isso podem se dar ao luxo de ter procedimentos de formação de pilotos mais completos, embora, na opinião deste autor, seriam desnecessários. A Índia é uma outra nação que tem investido pesadamente em suas forças armadas e por isso, todos os segmentos que se referem a este tema vem sendo influenciados, de forma positiva, por esta postura do seu governo. A força aérea indiana possui três fases distintas no que se refere a formação pratica de seus novos pilotos. O aluno inicia suas atividades de piloto no pequeno HPT-32 Deepak, um turbo-helices similar ao nosso T-25 Universal. Depois dessa fase, o piloto parte para a primeira aeronave a reação, sendo, atualmente o jato HJT-16 Kiran. Esse jato de baixo desempenho oferece ao novo piloto uma tranqüila transição para aeronaves a reação, para diminuir o “gap” entre os turbo-helices e os jatos. E por fim, depois de passar pelas duas fases, o piloto parte para a ultma parte de seu treinamento de formação, que se dá no eficiente jato britânico BAe Hawk MK-132, que dá ao piloto uma experiência de vôo que se aproxima muito do desempenho de um caça de primeira linha que o novato terá que assumir ao fim de sua formação.
O jato que vamos tratar a partir de agora é o novíssimo jato de treinamento intermediário HJT-36 Sitara, desenvolvido pela Hindustan Aeronautics para substituir os seus velhos jatos HJT-16 Kiran, na fase intermediaria da formação de pilotos da força aérea indiana.
Acima: O desenho usado no Sitara lembra o de aeronaves experimentais leves vendidas para uso civil.
O novo Sitara foi desenhado, claramente, para o bom desempenho em termos de agilidade. Porém deve-se observar que seu pequeno motor de origem russa NPO Saturn AL-55 que produz apenas 1690 kg de potência coloca a relação peso/ potência do pequeno Sitara no patamar de 0,48. Assim esta aeronave é extremamente dócil com o novo piloto. Mesmo assim o Sitara consegue puxar até 7 Gs em manobras, (o caça F-5M do Brasil consegue 7,33). Assim pode-se ver que em termos de manobra ele consegue se aproximar de uma aeronave de combate.
Acima: Com uma relação empuxo peso bastante baixa, o comportamento do Sitara é bastante dócil para o piloto que acabou de sair de uma aeronave turbo-hélice.
O Sitara possui 5 pontos fixos para transporte de armas que totalizam uma capacidade de 1000 kg de armamentos. Essa tímida capacidade deixa claro a vocação apenas para treinamento, sendo que teria pouco valor militar em termos de capacidade ofensiva em uma situação de combate real. Assim, as armas disponíveis ao Sitara são compostas por bombas de queda livre, lançadores de foguetes não guiados e casulos com canhões de 23 mm. Sua aviônica, também muito simples, não foi projetada para ser usada de forma ofensiva.
Seu cockpit é básico e possui pequenos displays com funções relativamente limitadas se comparado a outras aeronaves, porém é adequado para familiarização do piloto com esse tipo de instrumentos.
Acima:O cockpit do Sitara, mesmo básico, já traz para o piloto, os displays no lugar dos instrumentos analógicos. Isso facilita a familiarização do piloto com esse tipo de configuração que ele encontrará nos caças de primeira linha que pilotará.
O Sitara é uma aeronave muito especializada para os tempos atuais onde as forças aéreas procuram aeronaves com capacidade de executar múltiplas tarefas, e isso diminui o potencial de exportação do Sitara, onde ele terá que competir com aeronaves mais capazes, embora mais caras. Porém o principal cliente pelo qual o modelo foi projetado, a Índia, já encomendou 73 unidades garantindo a viabilidade do projeto.
Acima: Um desenho em três vistas do Sitara evidencia sua simplicidade aerodinâmica.

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0.6 (700 km/h)
Velocidade máxima: mach 0.8 (950 km/h)
Razão de subida: 1200 m/min.
Fator de carga: +7 Gs, -2,5 Gs.
Potência: 0.48.
Taxa de giro: 9.0º/s (estimado)
Razão de rolamento: *240º/s
Raio de ação/ alcance: 500 km/ 1000 km.
Empuxo: 1 motor NPO Saturn AL-55 com 1690 kgf de potencia máxima.
DIMENSÕES
Comprimento: 10,91 m.
Envergadura: 9,8 m.
Altura: 4,13 m.
Peso: 3500 kg (vazio).
ARMAMENTO
Bombas de queda livre, casulos de foguetes e um canhões de 23 mm em um casulo.

Fontes: Site Air Force Technology; Site Deagel; Site Global Security; Site Bharat Rakshak.

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10 comentários:

Alexandre disse...

Essa razão de subida tá certa? Eu to achando tão baixa...

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Ola Alexandre. esta sim. Essa razão baixa é conseqüência da baixissima potência do motor.
Abraços

Alexandre disse...

Blz, valeu!
Abração.

Ivo disse...

Carlos, como comparação.........

Qual a potencia do motor do Xavante??????

e a relação pesoXpottência?????

abraços.

Ivo disse...

acho que o xavante tem maiores capacidades ofensivas, se comparado à este modelo indiano...............

abraços.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Ivo. Por incrível que pareça, o Xavante tem uma potência menor, de 1110 Kgf de potência.. A capacidade ofensiva do xavante, mesmo sendo maior que a do Sitara, ainda é absurdamente menor que a de um AT-29 Super Tucano.
Abraços

Carlos disse...

Este avião é para treinamento tático básico de dogfight e manobras avançadas, bem como treinamento de transição hélice (de baixa velocidade)=> jato. Reduz os custos de treinamento de pilotos com jato, e coloca um degrau a mais no treinamento do piloto militar, fazendo com que não haja uma dificuldade maior na transição para o jato

Carlos disse...

Inglaterra e África do Sul para isso usam o BAE Hawk, a US Navy usa o mesmo, porém produzido nos EUA,o T-45, a França usa o alphajet, os países da cortina de ferro usam o L-39 Albatroz, etc ... Estes são os mais antigos,agora, as forças aéreas estão modernizando suas frotas.

Flávio Moreno disse...

Caro Carlos,
qual a diretriz correta para a formação de um piloto de combate, na sua opinião? um treinador (básico? primário? avançado?) turbo-hélice e a transição direta para as versões operacionais bipostas das aeronaves à reação de linha de frente é suficiente? O Brasil comete um erro ao fazer do tucano/super tucano uma aeronave de treinamento avançado para então lançar um piloto num caça?
Abraço!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Flavio. Em minha opinião, o piloto começaria voando um avião bem simples, como o T-25 e depois iria para um Super Tucano AT-29. Depois disso ele passaria para um jato de treinamento como o Hawk e só depois disso ele iria para um caça de alto desempenho supersonico. A forma como é feito hoje, é, em minha opinião inadequado.
Abraços