
DESCRIÇÃO
As aeronaves sem piloto (UAVs) já foram foco de algumas matérias neste blog, porém reconheço que comecei a tratar do assunto pela parte final, mostrando o futuro destes avançados sistemas de armas. Os Estados Unidos se tornaram a nação que mais importância deu para o estudo de aeronaves sem piloto e iniciaram, em 1995, as operações militares com o modelo MQ-1 Predator, fabricado pela General Atomics, usado, inicialmente, exclusivamente para missões de observação e reconhecimento, usando diversos tipos de sensores e câmeras especiais para permitir o fornecimento de dados do campo de batalha em tempo real para os comandantes da missão e para os soldados na linha de frente. Em fevereiro de 2001, um Predator, foi armado com o míssil antitanque Hellfire C, guiado a laser, e foi usado num teste em que o veiculo alvo foi destruído com sucesso. Aí o UAV Predator, cruzou a fronteira que separa o avião sem piloto (UAV), do avião de combate sem piloto UCAV (Unmanned Combat Air Vehicle).
Mesmo assim, esta nova capacidade do Predator foi só uma experiência para desenvolver a tecnologia que seria usada em um novo UCAV que havia sido encomendado em 1998. Neste ano, a força aérea dos Estados Unidos (USAF) contratou a General Atomics para que desenvolvesse uma nova variante do Predator com melhorias substanciais, abrangendo sua capacidade de combate, motorização mais potente e maior autonomia. O modelo passou a ser chamado de MQ-9 Predator B, para identificar a nova versão.
Acima: O reaper é uma aeronave maior que seu predecessor Predator. Seu maior tamanho lhe permitiu transportar uma maior carga de armas e equipamentos a distancias maiores.
No final de 2001, a USAF, encomendou dois Predators B e decidiu rebatizar o novo modelo de Reaper (ceifador). O avião foi equipado com um motor Honeywell TP-301-10T que produz uma potência máxima de 900 SHP e leva o Reaper a uma velocidade máxima de 482 km/h. A autonomia de vôo chega a 14 horas com carga de armamento completo, ou 5900 km de alcance de translado. Esse desempenho garante muito maior flexibilidade operacional para o Reaper que o seu antecessor Predator. Esteticamente, a maior diferença entre os dois se dá na posição da empenagem em “V” que no Reaper é para cima e no Predator está montado em baixo da fuselagem do avião.
Acima: O motor TP-301-10T do Reaper foi desenvolvido pela Honeywell e permitiu um desempenho superior ao do Predator em termos de velocidade.
O Reaper é controlado remotamente de uma estação de comando terrestre onde o avião é pilotado por uma pessoa e os sistemas de sensores são operados por outro elemento. O comando é feito por sinais de satélite, porém pode ser feito direto por data link também.
O Reaper está equipado com um radar de abertura sintética General Atomics AN/APY-8 Lynx II usado para rastrear alvos de superfície e acompanha-los. Este radar produz imagens de alta definição dos alvos em terra permitindo identificar com precisão o tipo de alvo e sua posição. O alcance deste radar, em altas altitudes, pode chegar a 87 km em condições climáticas favoráveis. Outro avançado sistema instalado no Reaper é o sistema de designação de alvos MTS-B (Multi - Spectral Targeting System) que consiste em uma torre multi-sensor contendo um telêmetro a laser, um designador de alvos a laser, uma câmera e uma infravermelha (IR). O Reaper passa as informações coletadas de seus sensores por data link.
Acima: A estação de controle do Reaper e dos outros UAV/ UCAV fica em terra, em total segurança, dentro de um trailer equipado com todos os sistemas de comunicação e comando para pilotar estes aviões em suas missões.
O armamento que é transportado pelo Reaper é particularmente surpreendente, Há 6 cabides de armas externos que podem transportar uma carga de 1700 kg. As armas disponíveis são os mísseis AGM-114 Hellfire, guiado por laser e usado contra veículos e fortificações. O alcance do Hellfire é de 7 km e sua ogiva dupla tem 9 kg de explosivos montados um atrás do outro o que permite uma potente capacidade antiblindagem. A bomba guiada a laser GBU-12 Paveway II também faz parte do arsenal do Reaper. Mais recentemente foi integrado a bomba guiada por GPS GBU-38 JDAM, que é a variante de 225 kg desta importante família de armas. O Reaper pode ser armado com o famoso míssil ar ar AIM-9 Sidewinder e o AIM-92 Stinger, uma versão ar ar do famoso míssil antiaéreo portátil.
Acima: Nesta foto podemos ver uma combinação bem comum de armamentos montado sob a asa do Reaper. Em primeiro plano temos dois mísseis AGM-114 Hellfire e no cabide interno (próximo da fuselagem) temos uma bomba guiada a laser GBU-12 paveway II.
O Reaper está sendo pesadamente usado no Afeganistão, onde tem causado serias baixas nos guerrilheiros do talebam, já provando a eficiência e viabilidade de aeronaves sem piloto em situação de combate real. Assim, o Reaper está expandindo os horizontes para a aplicação de aeronaves sem piloto em batalhas. A próxima geração de aeronaves sem piloto será movida por motores a reação (jato) o que aumentará, ainda mais a flexibilidade de emprego destes sistemas de armas que certamente representam o futuro de aviação de combate.
Além dos Estados Unidos, o Reaper está em serviço na Itália, Turquia e Inglaterra mostrando que muitas forças armadas de primeira linha despertaram para a importância que aeronaves sem piloto terão no futuro a curto prazo.
Acima: Acima podemos ver um desenho em diversos ângulos do Reaper para facilitar o reconhecimento do modelo.
FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 482 km/h
Velocidade de cruzeiro: 370 km/h
Teto de serviço: 15200 m
Raio de ataque: 2400 km (com duas bombas de 907 kg)
Alcance maximo: 5900 km
Motor: Um turbopropulsor Honeywell TP-301-10T com 900 shp
Comprimento: 11 m
Envergadura: 20,1 m
Altura: 3,8 m
Peso: 2223 Kg (vazio)
Armamento: Carga de 1700 kg de armas que podem ser bombas GBU-38 JDAM, bombas guiadas a laser GBU-12 Paveway II, mísseis antitanque AGM-114 Hellfire, guiados a laser, mísseis ar ar AIM-9 Sidewinder e mísseis ar ar AIM-92 Stinger.
Acima: Nesta foto podemos ver a antena de comunicação com o satélite, uma das forma de orientação remota do Reaper.
ABAIXO PODEMOS ASSISTIR A UM VÍDEO COM INFORMAÇÕES SOBRE O MQ-9 REAPER
Fontes: USAF, General Atomics (fabricante), Site Air Force Technology, Site Deagel, Site Global Security e site Defense Industry Daily.
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8 comentários:
Carlos eu já li em alguns sites e comunidades que alguns países estão desenvolvendo sistemas eletrônicos capazes de gerar interferência nos sinais das aeronaves sem piloto. Você também tá sabendo disso?
Senão me engano antes da guerra da georgia um Mig-29 Russo abateu um UCAV muito parecido com o MQ-9.
Olá Raphael. O caso da Geórgia, foi contra um UAV desarmado. Só os EUA possuem um UCAV (UAV armado) hoje.
Soube sim da capacidade de gerar interferência nos comandos de aeronaves sem piloto. No futuro, os UCAVs/ UAVs, terá capacidade de executar a missão d forma autônoma e isso será a resposta a capacidade de interferência inimiga.
Abraços
Eae Carlos òtima matéria.
Como está a Rússia em termos de armas deste tipo? Eles possuem algum tipo de UAV já operacional?
Creio que li certa vez sobre um Ucav que penso ser de projeto alemão, o Barracuda, como anda este projeto?
Olá Rodrigo. Obrigado.
O barracuda é um protótipo de estudos e não será construido em série. Os russos andaram comprando UAVs de Israel pois eles não tem muito desenvolvimento nessa área. A MAPO MIG tem um protótipo de um UCAV avançado chamado Skat, mas pelo que sei, ainda não voou e nem sei se voará, uma vez que os russos parecem estar investindo mais em caças de 4 e 5º geração.
Abraços
Carlos, você acha que os UCAVs podem tomar o lugar dos humanos nos futuros combates aéreos?
Abraços
Olá Helio.
Eu acredito que não. Acredito que a proxima geração de aeronaves de combate, terão versões tripulas e nção tripuladas. Eu estou penando em tratar deste assunto num artigo especial.
Abraços
Olá Carlos.
Artigo bem interessante .
Por acaso sabe se já ocorreu um combate real entre uma aeronave(versão armada) desta categoria e uma convencional?
Penso que no futuro será possível criar vetores mais poderosos que poderão rivalizar com caças convencionais a custo mais baixo , inclusive de vidas humanas .
um abraço.
Olá Игорь.
Já houve sim um combate entre um caça MIG-29 russo e um UAV da Georgia em que o UAV foi derrubado. E a derrubada dele foi gravada.
Abraços
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