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24 Agosto 2011

BOEING B-52H STRATOFORTRESS. O vovô ainda está em forma.

DESCRIÇÃO
O tenso período da história humana conhecido como “Guerra Fria”, teve alguns protagonistas que acabaram dando um “rosto” para esta fase. Caças F-4 Phanton, MIGs-21, cruzadores da classe Kirov e os bombardeiros Tupolev Tu-95 Bear. Porém, do lado norte americano, nenhum outro sistema de armas leva tão bem a “cara” da guerra fria como o poderoso e imponente bombardeiro estratégico Boeing B-52 Stratofortress. Com suas asas enflechadas com uma envergadura gigantesca (56,4 metros), a maior em um avião de combate do mundo; seus 8 motores fumacentos e seu jeito desengonçado de decolar, o B-52 representou o poderio nuclear dos Estados Unidos durante toda a guerra fria. Mas o que mais chama a atenção é que, com seus 59 anos, ele continua em plena forma.
Mesmo tendo sido projetado para lançar bombas atômicas e mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares sobre a União Soviética, a missão que o B-52 mais executou foi o de arrasar alvos sobre o Vietnam, Iraque e Afeganistão com bombas convencionais de queda livre e lançamento de mísseis de cruzeiro com ogivas convencionais.
Muitos modelos de aeronaves que objetivavam substituir o velho “Buff” (Big Ugly Fat Fellow) ou “cara feio grande e gordo” como o B-52 foi, carinhosamente, apelidado pela sua tripulação, foram entrando e saindo de operação, simplesmente por não serem capazes de cumprir, do mesmo jeito, as missões do velho B-52. A atual previsão sobre o futuro deste avião é a de que ele continue em operação até 2045, quando o projeto fará 90 anos. Se isto ocorrer, ele será o mais longevo avião de combate da história.
Acima: Nesta rara foto podemos ver o protótipo YB-52 em um voo de testes. Notem a cauda enorme deste modelo e a cabine de comando, parecida com a de um caça.
O modelo do B-52 em uso é a versão “H”, que entrou em serviço em outubro de 1962 e recebeu inúmeras melhorias no decorrer destes anos para adapta-lo aos novos desafios do moderno campo de batalha. Uma destas melhorias em relação aos modelos iniciais foi a troca dos motores fumacentos da família Pratt & Whitney J-57 pelos mais eficientes motores Pratt & Whitney TF-33 que proporcionaram maior autonomia por causa de seu menor consumo de combustível e maior potência, além de produzirem menos fumaça, que dava uma visibilidade indesejada para os B-52. Cada um destes motores (são 8) entrega uma potência de 7600 kgf ao B-52 e seu alcance de translado chega a incríveis 16232 km, ou seja, este bombardeiro pode voar até um alvo a qualquer lugar do planeta.
Acima: O B-52H será o avião de combate com maior tempo em serviço quando for aposentado. Além do projeto ser muito bom (mesmo), ele recebeu melhorias muito importantes durante sua vida operacional e continuará a recebe-las para se manter adaptado as novas condições do campo de batalha.
A suíte de sensores e de guerra eletrônica instalada no B-52H é uma das mais completas dentre todos os aviões de combate da USAF (força aérea dos Estados Unidos). Logo a frente da aeronave, sob a fuselagem na altura da cabine, existe duas protuberâncias compostas por um sensor eletro-óptico AN/ASQ-151 EVS. O sistema possui um sensor infravermelho (FLIR) AN/ AAQ-6 desenvolvido pela Raytheon e por uma câmera de TV fabricada pela Northrop Grumman AN/ AVQ-22 que é usada para apoio em vôos de baixa altitude, um regime de vôo que os B-52 precisaram se adaptar para poderem sobreviver a evolução dos sistemas de defesa antiaérea de alta altitude que os soviéticos haviam desenvolvido nos anos 60. O radar usado pelo B-52 é o Northrop Grumman APQ-166 que deverá ser substituído a partir de 2022 por um novo modelo, mais capaz. Este radar permite o seguimento de terreno para apoiar a navegação em vôos de baixa altitude.
No campo da guerra eletrônica, o B-52H está equipado com um sofisticado sistema AN/ALQ-172(V)2 que faz a identificação dos sinais de radar inimigos e executa a interferência ativa para anular a efetividade destes sensores. Outros sistemas de guerra eletrônica instalados no B-52H são os detectores de radar AN/ALR-46 e o gerenciador de interferência (jammer) AN/ALQ-155 multibanda que presta uma cobertura de proteção eletrônica em volta de toda a aeronave.
Existe um sistema que, eu, particularmente, acho interessante na suíte de guerra eletrônica do B-52H que é um gerador de alvos falsos AN/ALQ-122, desenvolvido pela Motorola, muito conhecido fabricante de celulares e rádios, com o objetivo de criar alerta falsos para os radares inimigos com o fim de ludibria-los. Para completar esta sofisticada capacidade de guerra eletrônica, um sistema de interferência AN/ALT-32 e um sistema de alerta de radar de cauda AN/ALQ-153 foram instalados.
Durante meu trabalho de pesquisas para a produção das informações contidas neste blog, eu nunca tinha visto uma aeronave com um sistema de guerra eletrônica tão completo quando o do B-52H. Esta capacidade permitiu, inclusive, que o modelo fosse usado com o objetivo de atrapalhar as redes de radares inimigas em apoio a um ataque de outras aeronaves táticas, embora esta missão não seja sua especialidade.,
Acima: Nesta foto de perto da parte frontal do B-52H podemos ver o sensor infravermelho (FLIR) AN/AAQ-6 e o Northrop Grumman AN/ AVQ-22 logo abaixo do nariz do avião. Estes dois sensores formam o sistema eletro-óptico AN/ASQ-151 EVS.
A capacidade de transporte de armamento do B-52H compreende 31500 kg de bombas e mísseis. As bombas podem ser de queda livre como a MK-82, MK-83 e MK-84, bombas guiadas por satélite como as da família JDAM, JSOW, WCMD (bombas de fragmentação guiadas) e SDB, que permitem serem lançadas de maiores distancias e com muito melhor precisão que as bombas burras. Os mísseis de cruzeiro correspondem a outra parte do armamento deste poderoso bombardeiro. O míssil de cruzeiro Boeing AGM-86C, versão convencional do famoso míssil nuclear, tem um alcance de 1100 km, transportando uma carga de 1400 kg de explosivos. Esta versão, especificamente tem guiagem feita por INS com apoio de um sistema GPS. A versão B deste míssil usa uma ogiva nuclear W-80-1 com cerca de 200 Kt de potencia. Para se ter um parâmetro do que representa esses “200 Kt”, basta observar que a bomba que explodiu a cidade de Hiroshima tinha cerca de 18 Kt de potência. O sistema de guiagem do AGM-86B usa o sistema TERCON que é um computador com dados sobre o relevo do caminho a ser percorrido até o alvo que permite um vôo em baixa altitude seguindo o contorno deste relevo e dificultando ao máximo a detecção do míssil pelos radares de defesa aérea.
Acima: O míssil AGM-86B com uma ogiva nuclear de 200 Kt fez do B-52 uma grande preocupação do comando soviético durante a guerra fria. Versões equipadas com ogivas convencionais tornaram o B-52H uma grande ameaça tática.
O míssil ar superfície israelense Popeye, chamado AGM-142 Have Nap, segundo a nomenclatura da USAF, é outra poderosa arma stand off (lançada longe do alcance das defesa inimigas) que o B-52H está qualificado a empregar. O AGM-142 é um grande míssil projetado para destruir alvos reforçados de grande porte. Para conseguir este efeito, o AGM-142 transporta uma pesada ogiva de 340 Kg fragmentada ou uma ogiva penetradora de 360 kg, para destruir bunkers. Seu sistema de guiagem é inercial e com o uso de um sensor infravermelho ou TV, dependendo da versão, na fase terminal do ataque. Seu alcance é de 80 km.
Acima: O potente míssil AGM-142 Have Nap (Popeye) sob a asa de um B-52H. este míssil permite ao B-52 destruir alvos reforçados a uma distancia segura da maioria dos sistemas de defesa antiaéreo disponíveis.
Até 2007, o B-52 podia ser armado com o poderoso e moderno míssil nuclear de cruzeiro stealth Raytheon AGM-129 ACM, que tinha um alcance de 3700 km e transportava uma ogiva W-80-1 nuclear (a mesma do AGM-86B). Este míssil foi retirado de serviço, prematuramente depois de um acordo de redução de armas nucleares assinado com a Rússia.
O B-52H pode, ainda, ser armado com bomba a nuclear de queda livre B-61 que, dependendo da versão, pode ter uma potência que varia de 0,3 a 350 Kt. Outra bomba nuclear que ele transporta é a B-83 cuja potência pode chegar até 1,2 megatons.
Por ultimo, o B-52H pode ser muito bem usado em missões de interdição naval armado com minas navais ou até 8 mísseis antinavio AGM-84 Harpoon, guiados por radar ativo e com alcance de 130 km.
Acima: Um B-52H faz "chover bombas" sob um alvo. O efeito destrutivo de um ataque com o Stratofortress pode colocar em xeque a vontade do inimigo em continuar a lutar.
É interessante notar que muitos modelos de aeronaves foram projetadas visando substituir o velho BUFF, e acabaram sendo aposentadas antes dele, e isto, aparentemente, ocorrerá novamente, uma vez que quando o B-52 estiver chegando ao final de sua vida operacional, em 2045, o B-1B Lancer já estiver aposentado a mais de 10 anos. O uso de bombardeiros pesados está fadado à extinção graças ao incrível aumento da capacidade dos sistemas de defesa antiaérea, da capacidade dos aviões de interceptação e dos custos altíssimos de se desenvolver um avião desse tipo. O B-52 devera ser um dos últimos aviões convencionais de bombardeiro a estar em serviço.
Acima: Bombardeiros de longo alcance como o B-52H são ótimos vetores de interdição naval, graças a sua enorme capacidade de transporte de armamentos e sua autonomia elevada.

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 850 km/h.
Velocidade máxima: 1040 km/h.
Razão de subida: 1900 m/min.
Fator de carga: 1,5 G (estimado).
Raio de ação/ alcance: 7210 km/ 16232km.
Radar: Northrop Grumman APQ-166.
Empuxo: 8 motores turbofan Pratt & Whitney TF-33 P-3/103 com 7600 Kg de potencia.
Comprimento: 48,5 m.
Envergadura: 56,4 m.
Altura: 12,4 m.
Peso: 83250 kg (vázio), 229000 kg totalmente carregado e abastecido.
Armamento: Um total de 31500 kg de armamentos que podem ser compostos por mísseis de cruzeiro Boeing AGM-86 A/B/C; mísseis Rafael/ Lockhhed Martin AGM-142 Have Nap; míssil Boeing AGM-84 Harpoon; bombas MK-82/83/84; bombas guiadas por GPS JDAM, JSOW e WCMD; bombas nucleares B-61 e B-83; minas navais.
Acima: Um B-52H em 3 vistas.

ABAIXO PODEMOS VER UM VÍDEO COM IMAGENS DE ATAQUES FEITOS POR BOMBARDEIROS B-52.

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12 comentários:

geudice disse...

O monstro igual a esse tem ter uma escolta.
Até um F5 derruba esse Mamute.

geudice disse...

Um monstro igual a esse tem ter uma escolta.
Até um F5 derruba esse Mamute.

Игорь disse...

Ele foi usado na comédia Dr. Fantástico" com o Peter Sellers.

Excelente artigo !

Gustavo disse...

Parafraseando uma fala do filme "Intruder A-6, um voô para o inferno": Pilotinhos de caça fazem filmes. Bombardeiros fazem a história. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Lucas disse...

É, o velho e bom Buff. Simplesmente atravessa gerações. É difícil imaginar uma aervonave militar extender sua vida útil por mais de 60 anos (nesse casso 59), são poucos que conseguem esse status, agora por 90 anos...

Parabéns pela exelente matéria.

Thiago Pereira disse...

Ótimo post!!!

Organizador Italo disse...

Italo
Que armasos soviéticos criaram para contrapor o B52

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Italo. Os mísseis antiaéreos como o S-75 Dvina (SA-2 Guideline) em seus sucessores foram a resposta para se defenderem de bombardeiros de alta altitude como o B-52 era, inicialmente.
Abraços

ADV disse...

Oi Carlos, tudo bem?

Excelente matéria. Imagine o pânico dos sovieticos só de pensar em ter um desses sobrevoando as suas cabeças.
Agora ele está lá, "afofando" as terras do Iraque.
Isso é que é um bom projeto de avião.

Abs.

luiz carlos disse...

OLA carlos tenho umas duvidas sopre ece fantastico aviao bombardeiro no vietinan ele foi abatido em combati? vi isso num sauti da interneti na sua visao guau e melhor ou mais perigoso tu-95 ou b-52 ou eles nao tei tanta diferença ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz.
O B-52 foi muito abatido em combate durante a ação no Vietnam. As defesas antiaéreas do Vietnam eram muito poderosas e abateram muitos aviões americanos, além dos B-52.
O B-52 e o T-95 são equivalentes, sendo que o modelo americano é um pouco mais rápido.
Abraços

luiz carlos disse...

valeu pela resposta eu tenho um revista asas nela fala sopre os combatis no vietinan mas nao dis nada sopre as perdas dos b-52 em combati acho incopetencia a revista nao falar sopre isso faleu eselenti materia