
DESCRIÇÃO Por Everton Luiz Vasconcelos Pedroza
Durante os últimos dez ou vinte anos ,as técnicas de formação de um piloto de caça bem como os aparelhos destinados a essa finalidade, tornaram-se um pouco complicados de compreender. A função de ‘’treinador avançado’’ deixou de ser exclusiva de aviões a reação, podendo ser executada também por uma infinidade de turboélices dotados de uma vasta parafernália eletrônica, mesmo que isso sacrifique a velocidade. Por outro lado, percebe-se uma tendência contrária de alguns fabricantes, que preferem investir em velozes jatos e transformá-los de meros aviões de treinamento avançado em aeronaves multifuncionais, executando missões de caça, ataque ao solo, antinavio,entre outras.
Outro caminho ainda mais estranho e mais econômico é o seguido por algumas forças aéreas, que simplesmente adaptam as versões biplace dos seus caças para o treinamento avançado, muitas vezes formando pilotos para aeronaves completamente diferentes do avião de caça que originou o treinador em questão.
O projeto FTC-2000/JJ-9 da GAIC (Guizhou Industry Corporation) surgiu no início do século XXI, quando visava-se substituir os treinadores a jato JJ-7 ainda em serviço na China e em nações amigas. Com ele os engenheiros tentavam unir de maneira consciente os equipamentos aplicado aos aviões de treinamento avançado modernos com uma célula de caça leve já consagrada. Diante do desafio, a célula do J-7 (versão chinesa do caça Mig-21) mais uma vez foi escolhida, mas a missão era ousada: preparar pilotos para os atuais caças chineses em serviço, bem como, talvez, treinar um novo grupo de pilotos, aptos a voar caças de 4ª e 5ª gerações.
Acima: Deste angulo fica evidente o desenho geral do JL-9 herdado do MIG-21 e do J-7. A parte da frente, no entanto, teve a mudança mais radical com a mudança da entrada de ar para a lateral da fuselagem.
Contando com um motor turbojato Wopen -13F, com 6.450 kg de empuxo com pós-combustão (o mesmo motor do j-7, para cortar custos) o primeiro protótipo do FTC-2000 voou pela primeira vez em 13 de Dezembro de 2003. O segundo protótipo foi mantido em solo apenas para testes estáticos, e o terceiro fez testes de vôo em 03 de Abril de 2004. Sendo assim, o FTC-2000 é considerado o projeto de avião militar de desenvolvimento mais rápido já ocorrido na China.
Nascido como supersônico essa aeronave conseguia exceder mach 1.6, mas ainda mantinha comandos de vôo mecânicos ao invés de fly by wire, mais uma vez, uma medida para reduzir custos. Em relação ao JJ-7, podia-se notar diferenças externas como as entradas de ar na lateral, com o ‘’bico’’ cedendo espaço para um radar de pulso Doppler de controle de tiro (usualmente um FIAR Grifo S7); asas em duplo delta, canopy e habitáculo redesenhados, com posição do segundo assento ejetável traseiro mais elevada em relação ao dianteiro.
Acredita-se que as mudanças externas do avião possibilitem apenas uma limitada melhora de desempenho a baixa altura em relação ao seu predecessor. Mas o FTC-2000 é uma aeronave bem superior, pois integra aviônicos de ultima geração como ECM, HUD + HMD, sistema RWR,INS/GPS e uma sonda de reabastecimento em vôo. Em 2006 o avião foi designado com o nome oficial JL-9(Jiaolian -9); no mesmo ano que incorporou novos sistemas de pouso e controle de estabilidade. Cinco aeronaves de pré-série foram entregues a PLAAF(Força Aérea Chinesa).
Acima: A manobrabilidade do JL-9 é relativamente boa, embora inferior a das aeronaves de projetos mais moderno, porém é uma solução econômica e eficiente para treinamento de futuros pilotos de aeronaves de alto desempenho.
Durante toda a fase de desenvolvimento, o nome FTC-2000 foi mantido, bem como a alcunha de ‘’Mountain Eagle’’(águia da montanha).O sistema de barramento de dados escolhido para esse avião foi o ocidental MIL STD 1553, o que comprova que o modelo realmente será oferecido para mercados fora da China.
Mesmo sendo um jato de treinamento, é provável que o JL-9 ganhe variantes destinadas, dentre outras coisas, a Guerra Eletrônica, ataque, e mesmo uma versão a ser empregada em alguns dos 5 porta-aviões em construção na China. A versão de terra, a principio conta com um canhão de 23 mm (derivado da família (Mig), cinco pilones para armas ou tanques de combustível de 480 ou 720 litros (centerline) e capacidade de carga para 2.000 kg de armamento, tais como mísseis ar-ar de curto e médio alcances, mísseis ar-superficie, bombas e foguetes.
Acima: O JL-9 terá capacidade de combate podendo prestar apoio a operações na linha de frente em caso de guerra.
O modelo naval do FTC-2000 (também conhecido como JL-9J), caso se concretize, teria como missão inicial treinar os pilotos chineses para os procedimentos de pousos e decolagens em porta-aviões, tal como ocorre com os T-45 ‘’Goshawk’’ norte-americanos. Contaria com trens de pouso reforçados; gancho de cauda;’’slats’’no bordo de ataque; extensões na raiz da asa e mudanças na deriva, que ficou maior em relação ao modelo ‘’de terra’’ bem como recheada com equipamentos de ECM (as três últimas alterações feitas inclusive para reduzir as velocidades de taxiamento e de aproximação). Um protótipo do ‘’Mountain Eagle’’ naval foi visto estacionado nas instalações da GAIC em Janeiro de 2011.
Acima: O JL-9 terá uma versão naval para operações em porta aviões. Esta versão se chama JL-9J e ajudará aos novos pilotos chineses a operar aeronaves de alto desempenho em navios aeródromos.
Poucos acreditaram quando em 2010 o FTC-2000 venceu a concorrência da PLAAF contra o J/L-15; um avião de treinamento muito similar ao YAK-130, também dotado de capacidades para missões de defesa aérea; mais moderno, com comandos de vôo fly by wire e manobrabilidade superior. Mas os custos e o tempo de desenvolvimento inferiores, a experiência chinesa de sempre ‘’reinventar’’ a célula do Mig-21 para suas necessidades, performances transônicas e supersônicas dignas de um caça legítimo e o suprimento de peças garantido pelo próprio parque industrial chinês (O J/L-15 usa motor ucraniano e tecnologia russa) fizeram com que o pequeno avião da Guizhou fosse escolhido. O súbito interesse de países como Indonésia, que busca substituir seus Hawks e OV-10, denota que bem como o K-8, o JL-9 poderá conseguir boas vendas fora da China também.
FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: mach 1,6.
Velocidade de cruzeiro: aprox. 900 Km/h.
Razão de subida: 15600 (com pós combustor).
Fator de carga: 8 Gs.
Razão de rolamento: 240º/seg.
Potência: 1,31.
Taxa de giro: 23º/seg (instantânea) (Estimado).
Teto de serviço: 16000 m.
Raio de ação: 1200 Km, 2.500 km (travessia).
Empuxo: 1 motor WP-13F,que produz 66,7 KN de potência com pós-combustor (6.450 kg).
DIMENSÕES
Comprimento: 14,55 m.
Envergadura: 8,32 m.
Altura: 4,1 m.
Peso: 4960 kg (vazio).
ARMAMENTO
Ar Ar: Canhão de 23mm, mísseis de curto e médio alcances do inventário chinês
Ar Terra: Casulos de foguetes e bombas de queda livre.

Acima: Os atuais es esquemas de camuflagem aplicados no JL-9 revelam um padrão de alto contraste.







18 comentários:
realmente a seção de cauda não nega que é neto do MiG-21
Muito bonito este caça, e se falando em material Chines não se pode deichar de imaginar qual custo unitario desta aeronave, por acaso tem esta informação ?
Muito interessante a preocupação e a capacidade de reinventar dos chineses. Creio que nós, brasileiros, não ficamos para traz neste aspecto. O que nos atrasa, como sempre, é a política com a sua peseudo-preocupação, como bem sabemos, o dinheiro. O que difere do congresso de vários paises. Carlos, esses treinadores tem a sua razão de ser e o Brasil possui algum caça com esse proposito de adestramento? E quanto ao comentario de que o Chile possui a melhor aviação de caça do continente é no aspecto tecnologico? Ou os seus pilotos, por tabela, figura como os melhores do continente. A doutrina difere da nossa? Em relação a que? Desculpe-me as demasiadas perguntas. Saudações a todos e parabéns pelo blog.
Olá Rafael. Não tenho o valor exato, mas se basearmos no custo do J-7. da qual este modelo deriva, creio que seu valor deve ficar em trono de U$ 15 milhões a unidade, o que é muito bom para essa categoria de avião.
Guardião ATM, obrigado pelo elogio. O Chile tem sua força aérea baseada em caças F-16A/B/C/D e o armamento usado por eles é moderno também. Seus pilotos participam de operações de treinamento com os EUA com frequência maior que a dos brasileiros. Por isso os coloco como os mais bem preparados da America do Sul.
Abraços
Mas como a plataforma (é assim que se fala, Ou seria estrutura, modelo, não sei como se referir quando um modelo de avião é usado para fazer outros projetos) do Mig-21 é versátil, sempre dá para fazer alguma coisa. Mas achei interresente o JL-9, o chineses escolheram o jl-9 , minha opinião, em vez do J/L-15 (versão chinesa do YAK-130) em nome da independência tecnológica em ralação a Rússia. Mas me diga uma coisa Carlos E. Di Santis Junior, vc não acha o jl-9 uma opção para o Brasil, afinal sem os xavantes nos não temos um avião de treinamento avançado (a não ser, claro, os tucanos. E parabéns pelo blog, sempre com interessante para fans de aviação.
Olá Paulo. Obrigado!
O JL-9 é uma aeronave interessante sim. Mas ainda o considero exagerado para o Brasil. O avião de treinamento que considero ideal seria o Hawk britânico que é subsônico e muito ágil também, sendo mais econômico de manter.
Abraços
Para um país que mostra quase pronto um caça de 5ªgeração (J-20),elabora outro caça leve de 5ªgeração ,que será mostrado em breve...Constrói de uma vez só 5 porta-aviões, lança satélites de forma independente,faz UAv's modernos...Não há como pensar que um país assim gastaria dinheiro numa aeronave inútil. O JL-9 deve ter boas qualidades sim.
carlos sabe alguma coisa sobre os submarinos e porta aviões que o brasil quer construir? o local em que vão ser feitos os estaleiros, mão de obra que será preciso, etc
Olá Rodrigo. Não há nada oficial sobre o porta Aviões. Quem dizer o contrario está deduzindo ou chutando. Sobre os submarinos, foram adquiridos 4 da classe Scorpene e serão levemente diferentes dos exemplares já produzidos desta classe. O primeiro será feito na França e os outros 3 em Itaguai, litoral sul do Rio de Janeiro. Os franceses fornecerão o casco para o submarino nuclear também, cujo reator de propulsão ainda não está pronto pois precisa ser diminuído em tamanho. Nosso protótipo é grande demais para ser instalado em um submarino.
Abraços
Ola Carlos, a doutrina da força aerea chilena é superior a nossa em quê? Com o advento do UNASUL, não vinhamos trabalhando para essa unificação. Creio que cheguei a ve algo na internet. E o seus aviões de alerta antecipado são superiores ao nosso? Grato a atenção dispensada, um abaraço a todos.
Olá Guardião.
A doutrina, em si, eu nada posso comentar pois desconheço, Porém os caças F-16 usados por eles, assim como seu armamento são superiores. Os pilotos chilenos treinam bastante também e seu avião AEW (eles só tem um) é mais antigo que o nosso e o considero inferior, mas nada que pudesse comprometer a eficiência da sua missão.
Abraços
carlos otimo post
agostaria de dar uma ideia de post para a trilogia : como vai estar o brasil ( fab , eb, mb) em 2025 obrigado espero que pense no assunto
Este avião possui caracterísicas em alguns parametros até superiores ao F-5M...herdou a tx de subida das versões melhoradas do MIG-21, 260 m/s é dificil para varios caças modernos...podemos dizer que radar é o mesmo...na realidade, é como se ele fosse o equivalente ao F-20 biposto so que levado a cabo em produção comercial...
Se alguem quer um lift para fazer o papel de Lo no Brasil seria este...
Como possui uma versão naval, o Brasil poderia adquirir 24 ou 36 destes e montar um esquadrão de qualificação e treinamento unificado da FAB e MB em Natal...resolvia o problema das duas armas de uma só vez...
Assim, o pessoal sairia do A-29 e na carreira para a MB ou a 1a. linha da FAB, precisando sentir a "pegada" de um supersonico, estes JL-9 estariam perfeitos e com a cara do Brasil, simples, baratos e baixo custo operacional...
Este avião possui caracterísicas em alguns parametros até superiores ao F-5M...herdou a tx de subida das versões melhoradas do MIG-21, 260 m/s é dificil para varios caças modernos...podemos dizer que radar é o mesmo...na realidade, é como se ele fosse o equivalente ao F-20 biposto so que levado a cabo em produção comercial...
Mais um comentário, apesar de ainda não ter conseguido confirmar na web a informação, tenho quase certeza que o mesmo possui um ajuste depreciado do regime de funcionamento do motor Woper, pois o mesma planta propulsora no JJ-7 prove uma veloc. de até mach 2...então provavelmente esta depreciação do ajuste do regime deve ter ocorrido para prolongar a vida util do motor e economia de combustivel. Afinal, como um treinador ele não precisaria exigir tanto assim como as versões do MIG-21 de combate...
Boa noite Carlos
Gostaria de saber se seria possível e viável economicamente a instalação do sistema Fly by Wire no JL-9?
Olá dino. Seia possível com um pequeno impacto no custo de aquisição do avião. Aparentemente, este aumento de custo, em uma aeronave de treinamento não seria tolerável.
Abraços
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