DESCRIÇÃO
O
período da guerra fria foi um momento bastante fértil para o desenvolvimento de
aeronaves de combate nos blocos que se opunham. A União Soviética, na década de
60, precisava de um caça bombardeiro que fosse sofisticado e capaz de ataques
de penetração bem dentro do território inimigo. Naquela época, estavam sendo
adaptados para esta missão, aeronaves originalmente projetadas para combate
aéreo como o Sukhoi Su-7 Fitter, tendo, porém, apresentando limitações
decorrentes de seu tamanho, relativamente pequeno para comportar os sistemas e
armamentos que o comando da força aérea queria que o avião tivesse.
Desta forma, a Sukhoi começou a estudar alguns conceitos
para conseguir desenvolver um novo caça bombardeiro pesado que atendesse as
necessidades expostas pelo comando da força aérea soviética para esta missão.
O
protótipo, apresentado em 1965, batizado de T-6, trouxe um modelo que
aproveitava algumas soluções aerodinâmicas do interceptador Sukhoi Su-15
Flagon, como as asas em configuração delta. Inicialmente, havia um objetivo de
que este novo caça bombardeiro fosse capaz de decolagens curtas e pouso
vertical, e por isso foi construído um segundo protótipo que tinha 4 motores de
sustentação vertical. Logo se percebeu, porém, que o uso destes motores
verticais traziam um grande sacrifício da autonomia e apresentavam instabilidade no momento do pouso levando ao
abandono da idéia de fazer uma aeronave com a capacidade STOL.
Seguindo
o desenvolvimento do avião, em 1968 decidiram estudar a possibilidade de
integrar uma asa de enflechamento variável no modelo. O resultado foi o
protótipo T-6-2. Os testes, que foram realizados entre 1971 e 1974, revelaram
um avião que atendia a todos os requisitos impostos pelo comando da força aérea
soviética. Nasceu, assim, o caça bombardeiro Su-24 Fencer A.
Acima: Aqui podemos ver uma rara foto do protótipo T-6 com asas fixas. este modelo não atingiu os índices de desempenho requisitados pelo comando da força aérea russa.
O
Su-24 entrou em serviço em 1974, sendo, naquela época, o mais avançado avião de
combate soviético, graças a seus sofisticados sistemas de navegação que lhe
permitiam voar em qualquer condição climática, de dia ou de noite e em baixa
altitude, seguindo o terreno e dificultando sua detecção pelos radares de
defesa aérea inimiga (lê-se OTAN).
Depois
de tantos anos, o Su-24 passou por atualizações para suprir as novas
necessidades do fim do século XX e início do século XXI, levando ao
desenvolvimento do modelo Su-24M Fencer D, a versão em uso atualmente.
Acima: Um Su-24 Fencer em frente a seu abrigo reforçado recebe a visita de civis em um evento aeronáutico.
Esta versão e as que se seguiram, receberam um
sistema de navegação com o GLONASS (equivalente russo para o GPS norte
americano), novo painel de controle com displays multifunção para facilitar a
leitura dos dados de navegação e missão, capacidade de operar com mísseis ar ar
de 4º geração R-73 Archer, através da integração do HMS (Helmet Monted Sight ou
mira montada no capacete), sistema, este, que permite que o piloto mire o alvo
com o movimento da cabeça para designar alvos para os mísseis. Esta ultima
capacidade permite a o Su-24 abater aeronaves que tentem interceptar ele,
diminuindo a necessidade de escolta aérea nas missões de ataque.
O
Su-24M usa um radar Orion-A integrado a um sistema de navegação e designação de
alvos PNS-24M (versão atualizada do sistema usado nos primeiros Fencer), que é,
o verdadeiro responsável pela capacidade qualquer tempo do Fencer dando a ele
controle de vôo automático ou semi-automático a baixíssimas altitudes no vôo de
penetração. Além deste sistema, o Fencer usa um sistema a laser de designação
de alvos Kyara 24M composto por um apontador laser e câmeras na parte frontal,
abaixo da fuselagem.
Outro
ponto que não foi esquecido no projeto foi o sistema de contramedidas
eletrônicas, item importantíssimo para melhorar as chances de sobrevivência do
Fencer em sua arriscada missão de ataque de penetração. Afinal, se espera que o
Fencer, em caso de guerra, seja um dos primeiros sistemas de armas a entrar na
“zona quente” do campo de batalha. Além de um sistema de jammer ativo SPS-161
Gheran-F, foram instalados lançadores APP-50 de chaffs e flares para
despistamento de mísseis inimigos guiados por radar e calor, respectivamente.
Acima: O cockpit do Su-24M, mesmo modernizado, ainda apresenta uma grande numero de instrumentos analógicos, o que acarreta em uma elevada carga de trabalho por parte do piloto e co-piloto.
O Su-24 é propulsado por dois turbojatos
Saturn/Lyulka AL-21F-3 A que fornecem 11250 Kg de empuxo com o pós-combustor
ligado. Com isso, o Fencer acelera a uma velocidade máxima de 2230 km/h em alta
altitude e 1400 km/h voando baixo, o que o coloca como um dos mais rápidos
aviões de combate em vôo rasante (perde apenas para o Panavia Tornado IDS). Sua
autonomia é relativamente curta podendo chegar a 2850 km. O raio de combate só
com o combustível interno é de apenas 560 km, e com dois tanques externos, 1250
km. Porém o Fencer conta com uma sonda de reabastecimento em vôo, para poder
“esticar” as distancias que ele pode atacar.
Acima: Os turbojatos AL-21F-3 somados a o uso de asas com enflechamento variável, permitem uma alta velocidade do Fencer em baixa altitude, o que traz uma vantagem tática apreciável.
O Fencer transporta até 8000 kg de uma grande variedade de
armamentos ar superfície do arsenal russo. Ele dispõe de 8 pontos fixos de
transporte de cargas externas que podem ser carregadas com mísseis Kh-23 guiado
por comando de rádio e com alcance de 10 km. Este míssil é adequado contra
alvos fixos e reforçados. O míssil Kh-25ML, guiado a laser, capaz de penetrar 1
metro de concreto e com alcance de 11 km. Para missões anti-radar, o Fencer
pode usar o antigo míssil Kh-28, o mais moderno Kh-58 e o Kh-31P. Os mísseis ar
superfície de médio alcance Kh-29 e Kh-59, assim como as bombas guiadas a laser
KAB –500 KR e KAB-500L. Armas “burras”
como lançadores de foguetes e bombas de queda livre também podem ser usadas
pelo Fencer.
Para
auto defesa, o Fencer pode ser armado com mísseis ar ar de curto alcance R-60
ou o R-73 Archer, e internamente, foi instalado um canhão GSh-6-23 com 6 canos
rotativos em calibre 23 mm capaz de disparar 10000 tiros por minuto. Este
canhão é alimentado por um tambor com 500 cartuchos.
Acima: Neste desenho das partes internas do Fencer, podemos ver, também, a variedade do arsenal que ele é capaz de transportar. Sem duvida este avião representou, na época da guerra fria, uma dor de cabeça para os estrategistas da Otan.
Hoje
a força aérea russa conta com 321 Su-24 Fencer (considerando todas as versões),
enquanto que a marinha opera 94 aeronaves do modelo. Atualmente o Su-24M está
em processo de ser substituído e lentamente o seu sucessor, o poderoso caça
bombardeiro pesado Su-34 Fullback (já descrito neste blog) toma seu lugar nas
linhas de frente da força aérea russa. Mesmo assim, ainda deve demorar alguns
anos até o Fencer deixar o serviço operacional.
Além
da Rússia, mais 9 nações usam o Su-24, sendo elas Iran, Bielorussia,
Kazaquistão, Ucrânia, Síria, Uzbequistão, Argélia e Angola.
Acima: Um Su-24MK Fencer D da força aérea iraniana. Estes aviões eram da força aérea iraquiana que fugiram nos primeiros dias da guerra do golfo. O irã incorporou os modelos a sua aviação de combate e existe indicações de que mais unidades acabaram sendo adquiridas posteriormente da Russia.
Velocidade de cruzeiro: 950 km/h (mach 0,80).
Velocidade máxima: 2230
km/h (mach 2).
Razão de subida: 9000 m/min.
Peso/Potência: 0,67
Fator de carga: 6 Gs
Taxa de giro: 11 º/s (estimado)
Razão de rolamento: 200º/s (estimado)
Raio de ação/ alcance: 1250 km/ 2850 km (com combustível externo)
Radar: Orion-A
Empuxo: 2 turbojatos Saturn/ Lyulka AL-21F-3 com 11250 kg de
empuxo máximo.
DIMENSÕES
Comprimento: 22,53 m
Envergadura: 17,64 m (asas abertas), 10,37 m (asas enflechadas)
Altura: 6,19 m
Peso: 22300 kg (vazio).
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil R-73 Archer, R-60 Aphid
Ar Terra: Míssil
Kh-59, missil Kh-31, missil Kh-29, Kh-28, Kh-58, Kh-25ML, Bombas guiadas Kab
(todas as versões), Bombas convencionais FAB (todas as versões) Foguetes não
guiados de diversos calibres. 8000 kg de carga máxima.
Interno: Canhão GSh-23 de 23 mm.
Acima: O Fencer, quando usando seus tanques externos de 3000 litros cada, sob as asas e um único tanque de 2000 litros no cabide central sob a fuselagem, consegue um raio de combate de 1250 km.
Acima: Um Su-24 lança seus Flares para despistar mísseis inimigos guiados a calor.
ABAIXO PODEMOS VER UM VÍDEO COM CENAS DO SU-24 EM TODO O SEU DESENVOLVIMENTO.
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12 comentários:
Muito bom!
o alcance operacional é muito baixo, com certeza as táticas serao toltalmente reformuladas quando incorporados os su-34
O Su-34 já está sendo incorporado. Há, pelo menos, 16 unidades dele já em serviço e todos os anos estão recebendo mais.
Abraços
Olá Carlos
Esse Su-24M Fencer é muito superior ao A-1M. Percebi que ele consegue carregar uma quantidade muito maior de armas do que o A-1, mas e quanto ao alcance do radar Orion A, ele é mais avançado do que o Scipio? Eu estou enganado ou o alcance da aeronave da FAB é maior?
Olá Anderson.
Na verdade não é justo comparar os dois aviões. O AMX A-1M é um jato de ataque leve, pensado para ser barato de operar e com desempenho bastante modesto. Ele é subsonico e transporta, no máximo, 3800 kg de armamentos e tanques externos. O Su-24 fencer é um caça bombardeiro pesado de penetração capaz de voar supersonico em alta e baixa altitude e com uma carga de armas de 8000 kg (mais que o dobro do A-1M). O radar orion A é muitissimo superior ao Scipio, que pode ser considerado um radar "miope". Até ai, tudo bem, pois o A-1M n]ão é uma aeronave de compromisso como o Su-24 é.
Abraços
ola carlos pelo q intendi esta produzino essa aeroname o su-34?
Ola Luiz.
O Su-34 já está em serviço. Há uma matéria sobre ele neste blog. Procure no índice. Trata-se de um derivado do Su-27 que deu muito certo.
Abraços
olá carlos o seu blog é realmente muito bom parabéns. sei que num tem nada a ver com o assunto deste tópico mais eu gostaria de ser informado sobre novas atualizações no seu blog aki está o meu e-mail: marcosbass8@hotmail.com
Olá Marcos. Obrigado pelo elogio e interesse.
Eu coloquei seu endereço de e-mail na lista de alertas de atualização.
Abraços
ola carlos gostaria sujerir uma materia e do bombardeiro tu-16 badger h6 chines valeu
Ótimo artigo Carlos, mas tenho um a pergunta, nos anos 70 e 80 as assas de enflechamento variável foram muito populares, e estavam e em vários caças e bombardeiros da época como o F14, Tornado, TU 22, TU 160 e B 1, mas por que elas foram esquecidas? não se ve nem projeto dessa configuração de assas mais
Abraços
oLÁ hÉLHÃO. Obrigado! As asas de geometria variavel são extremamente complexas e caras de manter,e indo além disso, esse tipo desolução aerodinamica não é boapara conseguir umresultado defurtividade frente aos radares, conceito, este, sempre buscado nos nos novos projetos.
Abraços
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