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04 Janeiro 2012

SUKHOI SU-24M FENCER D. Uma espada russa na cabeça da OTAN

DESCRIÇÃO
O período da guerra fria foi um momento bastante fértil para o desenvolvimento de aeronaves de combate nos blocos que se opunham. A União Soviética, na década de 60, precisava de um caça bombardeiro que fosse sofisticado e capaz de ataques de penetração bem dentro do território inimigo. Naquela época, estavam sendo adaptados para esta missão, aeronaves originalmente projetadas para combate aéreo como o Sukhoi Su-7 Fitter, tendo, porém, apresentando limitações decorrentes de seu tamanho, relativamente pequeno para comportar os sistemas e armamentos que o comando da força aérea queria que o avião tivesse.
Desta forma, a Sukhoi começou a estudar alguns conceitos para conseguir desenvolver um novo caça bombardeiro pesado que atendesse as necessidades expostas pelo comando da força aérea soviética para esta missão.
O protótipo, apresentado em 1965, batizado de T-6, trouxe um modelo que aproveitava algumas soluções aerodinâmicas do interceptador Sukhoi Su-15 Flagon, como as asas em configuração delta. Inicialmente, havia um objetivo de que este novo caça bombardeiro fosse capaz de decolagens curtas e pouso vertical, e por isso foi construído um segundo protótipo que tinha 4 motores de sustentação vertical. Logo se percebeu, porém, que o uso destes motores verticais traziam um grande sacrifício da autonomia e  apresentavam instabilidade no momento do pouso levando ao abandono da idéia de fazer uma aeronave com a capacidade STOL.
Seguindo o desenvolvimento do avião, em 1968 decidiram estudar a possibilidade de integrar uma asa de enflechamento variável no modelo. O resultado foi o protótipo T-6-2. Os testes, que foram realizados entre 1971 e 1974, revelaram um avião que atendia a todos os requisitos impostos pelo comando da força aérea soviética. Nasceu, assim, o caça bombardeiro Su-24 Fencer A.
Acima: Aqui podemos ver uma rara foto do protótipo T-6 com asas fixas. este modelo não atingiu os índices de desempenho requisitados pelo comando da força aérea russa.
O Su-24 entrou em serviço em 1974, sendo, naquela época, o mais avançado avião de combate soviético, graças a seus sofisticados sistemas de navegação que lhe permitiam voar em qualquer condição climática, de dia ou de noite e em baixa altitude, seguindo o terreno e dificultando sua detecção pelos radares de defesa aérea inimiga (lê-se OTAN).
Depois de tantos anos, o Su-24 passou por atualizações para suprir as novas necessidades do fim do século XX e início do século XXI, levando ao desenvolvimento do modelo Su-24M Fencer D, a versão em uso atualmente.
Acima: Um Su-24 Fencer em frente a seu abrigo reforçado recebe a visita de civis em um evento aeronáutico.
Esta versão e as que se seguiram, receberam um sistema de navegação com o GLONASS (equivalente russo para o GPS norte americano), novo painel de controle com displays multifunção para facilitar a leitura dos dados de navegação e missão, capacidade de operar com mísseis ar ar de 4º geração R-73 Archer, através da integração do HMS (Helmet Monted Sight ou mira montada no capacete), sistema, este, que permite que o piloto mire o alvo com o movimento da cabeça para designar alvos para os mísseis. Esta ultima capacidade permite a o Su-24 abater aeronaves que tentem interceptar ele, diminuindo a necessidade de escolta aérea nas missões de ataque.
O Su-24M usa um radar Orion-A integrado a um sistema de navegação e designação de alvos PNS-24M (versão atualizada do sistema usado nos primeiros Fencer), que é, o verdadeiro responsável pela capacidade qualquer tempo do Fencer dando a ele controle de vôo automático ou semi-automático a baixíssimas altitudes no vôo de penetração. Além deste sistema, o Fencer usa um sistema a laser de designação de alvos Kyara 24M composto por um apontador laser e câmeras na parte frontal, abaixo da fuselagem.
Outro ponto que não foi esquecido no projeto foi o sistema de contramedidas eletrônicas, item importantíssimo para melhorar as chances de sobrevivência do Fencer em sua arriscada missão de ataque de penetração. Afinal, se espera que o Fencer, em caso de guerra, seja um dos primeiros sistemas de armas a entrar na “zona quente” do campo de batalha. Além de um sistema de jammer ativo SPS-161 Gheran-F, foram instalados lançadores APP-50 de chaffs e flares para despistamento de mísseis inimigos guiados por radar e calor, respectivamente.
Acima: O cockpit do Su-24M, mesmo modernizado, ainda apresenta uma grande numero de instrumentos analógicos, o que acarreta em uma elevada carga de trabalho por parte do piloto e co-piloto.
O Su-24 é propulsado por dois turbojatos Saturn/Lyulka AL-21F-3 A que fornecem 11250 Kg de empuxo com o pós-combustor ligado. Com isso, o Fencer acelera a uma velocidade máxima de 2230 km/h em alta altitude e 1400 km/h voando baixo, o que o coloca como um dos mais rápidos aviões de combate em vôo rasante (perde apenas para o Panavia Tornado IDS). Sua autonomia é relativamente curta podendo chegar a 2850 km. O raio de combate só com o combustível interno é de apenas 560 km, e com dois tanques externos, 1250 km. Porém o Fencer conta com uma sonda de reabastecimento em vôo, para poder “esticar” as distancias que ele pode atacar.
Acima: Os turbojatos AL-21F-3 somados a o uso de asas com enflechamento variável, permitem uma alta velocidade do Fencer em baixa altitude, o que traz uma vantagem tática apreciável.
O Fencer transporta até 8000 kg de uma grande variedade de armamentos ar superfície do arsenal russo. Ele dispõe de 8 pontos fixos de transporte de cargas externas que podem ser carregadas com mísseis Kh-23 guiado por comando de rádio e com alcance de 10 km. Este míssil é adequado contra alvos fixos e reforçados. O míssil Kh-25ML, guiado a laser, capaz de penetrar 1 metro de concreto e com alcance de 11 km. Para missões anti-radar, o Fencer pode usar o antigo míssil Kh-28, o mais moderno Kh-58 e o Kh-31P. Os mísseis ar superfície de médio alcance Kh-29 e Kh-59, assim como as bombas guiadas a laser KAB –500 KR e KAB-500L.  Armas “burras” como lançadores de foguetes e bombas de queda livre também podem ser usadas pelo Fencer.
Para auto defesa, o Fencer pode ser armado com mísseis ar ar de curto alcance R-60 ou o R-73 Archer, e internamente, foi instalado um canhão GSh-6-23 com 6 canos rotativos em calibre 23 mm capaz de disparar 10000 tiros por minuto. Este canhão é alimentado por um tambor com 500 cartuchos. 
Acima: Neste desenho das partes internas do Fencer, podemos ver, também, a variedade do arsenal que ele é capaz de transportar. Sem duvida este avião representou, na época da guerra fria, uma dor de cabeça para os estrategistas da Otan.
Hoje a força aérea russa conta com 321 Su-24 Fencer (considerando todas as versões), enquanto que a marinha opera 94 aeronaves do modelo. Atualmente o Su-24M está em processo de ser substituído e lentamente o seu sucessor, o poderoso caça bombardeiro pesado Su-34 Fullback (já descrito neste blog) toma seu lugar nas linhas de frente da força aérea russa. Mesmo assim, ainda deve demorar alguns anos até o Fencer deixar o serviço operacional.
Além da Rússia, mais 9 nações usam o Su-24, sendo elas Iran, Bielorussia, Kazaquistão, Ucrânia, Síria, Uzbequistão, Argélia e Angola.
Acima: Um Su-24MK Fencer D da força aérea iraniana. Estes aviões eram da força aérea iraquiana que fugiram nos primeiros dias da guerra do golfo. O irã incorporou os modelos a sua aviação de combate e existe indicações de que mais unidades acabaram sendo adquiridas posteriormente da Russia.



FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 950 km/h (mach 0,80).
Velocidade máxima: 2230 km/h (mach 2).
Razão de subida: 9000 m/min.
Peso/Potência: 0,67
Fator de carga: 6 Gs
Taxa de giro: 11 º/s (estimado)
Razão de rolamento: 200º/s (estimado)
Raio de ação/ alcance: 1250 km/ 2850 km (com combustível externo)
Radar: Orion-A
Empuxo: 2 turbojatos Saturn/ Lyulka AL-21F-3 com 11250 kg de empuxo máximo.
DIMENSÕES
Comprimento: 22,53 m
Envergadura: 17,64 m (asas abertas), 10,37 m (asas enflechadas)
Altura: 6,19 m
Peso: 22300 kg (vazio).
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil R-73 Archer, R-60 Aphid
Ar Terra: Míssil Kh-59, missil Kh-31, missil Kh-29, Kh-28, Kh-58, Kh-25ML, Bombas guiadas Kab (todas as versões), Bombas convencionais FAB (todas as versões) Foguetes não guiados de diversos calibres. 8000 kg de carga máxima.
Interno: Canhão GSh-23 de 23 mm.
Acima: O Fencer, quando usando seus tanques externos de 3000 litros cada, sob as asas e um único tanque de 2000 litros no cabide central sob a fuselagem, consegue um raio de combate de 1250 km.

Acima: Um Su-24 lança seus Flares para despistar mísseis inimigos guiados a calor.

ABAIXO PODEMOS VER UM VÍDEO COM CENAS DO SU-24 EM TODO O SEU DESENVOLVIMENTO.
 

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12 comentários:

empalador. disse...

Muito bom!

Rodrigo_Klug disse...

o alcance operacional é muito baixo, com certeza as táticas serao toltalmente reformuladas quando incorporados os su-34

Carlos E. Di Santis Junior disse...

O Su-34 já está sendo incorporado. Há, pelo menos, 16 unidades dele já em serviço e todos os anos estão recebendo mais.
Abraços

Anderson disse...

Olá Carlos
Esse Su-24M Fencer é muito superior ao A-1M. Percebi que ele consegue carregar uma quantidade muito maior de armas do que o A-1, mas e quanto ao alcance do radar Orion A, ele é mais avançado do que o Scipio? Eu estou enganado ou o alcance da aeronave da FAB é maior?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Anderson.
Na verdade não é justo comparar os dois aviões. O AMX A-1M é um jato de ataque leve, pensado para ser barato de operar e com desempenho bastante modesto. Ele é subsonico e transporta, no máximo, 3800 kg de armamentos e tanques externos. O Su-24 fencer é um caça bombardeiro pesado de penetração capaz de voar supersonico em alta e baixa altitude e com uma carga de armas de 8000 kg (mais que o dobro do A-1M). O radar orion A é muitissimo superior ao Scipio, que pode ser considerado um radar "miope". Até ai, tudo bem, pois o A-1M n]ão é uma aeronave de compromisso como o Su-24 é.
Abraços

luiz carlos disse...

ola carlos pelo q intendi esta produzino essa aeroname o su-34?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Ola Luiz.
O Su-34 já está em serviço. Há uma matéria sobre ele neste blog. Procure no índice. Trata-se de um derivado do Su-27 que deu muito certo.
Abraços

Marcos disse...

olá carlos o seu blog é realmente muito bom parabéns. sei que num tem nada a ver com o assunto deste tópico mais eu gostaria de ser informado sobre novas atualizações no seu blog aki está o meu e-mail: marcosbass8@hotmail.com

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Marcos. Obrigado pelo elogio e interesse.
Eu coloquei seu endereço de e-mail na lista de alertas de atualização.
Abraços

luiz carlos disse...

ola carlos gostaria sujerir uma materia e do bombardeiro tu-16 badger h6 chines valeu

Hélhão do axé disse...

Ótimo artigo Carlos, mas tenho um a pergunta, nos anos 70 e 80 as assas de enflechamento variável foram muito populares, e estavam e em vários caças e bombardeiros da época como o F14, Tornado, TU 22, TU 160 e B 1, mas por que elas foram esquecidas? não se ve nem projeto dessa configuração de assas mais

Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

oLÁ hÉLHÃO. Obrigado! As asas de geometria variavel são extremamente complexas e caras de manter,e indo além disso, esse tipo desolução aerodinamica não é boapara conseguir umresultado defurtividade frente aos radares, conceito, este, sempre buscado nos nos novos projetos.
Abraços